Matéria publicada em 22 de julho de 2025.
O Instituto Arandu realiza de 22 a 27 de julho a sexta edição da Roda de Saberes, evento que integra arte, agroecologia e cultura em Anápolis, Pirenópolis e Goiânia, Goiás. A programação deste ano inclui apresentações circenses, oficinas musicais, vivências na horta agroecológica, plantio de mudas e atividades especiais para 17 crianças do abrigo Instituto Luz de Jesus. O evento, financiado por ingressos solidários e parcerias com a Saúva e Muda, reforça a rede de economia colaborativa do cerrado goiano.
Mariana Dourado, representante do Instituto Arandu, explica que o evento surgiu como um momento para celebrar e fortalecer parcerias. “É um momento da gente celebrar, integrar, vivenciar e fortalecer as nossas parcerias. Um momento de encontro, lembrando, assim, o nosso propósito enquanto grupo. Grupo que trabalha a arte, a agroecologia, a cultura, a diversidade e os saberes ancestrais. O objetivo é manter o fortalecimento dessas nossas relações de forma lúdica e divertida”, destaca.



A programação do sábado começa pela manhã com atividades dedicadas às crianças do abrigo, incluindo o espetáculo de bolhas de sabão com a artista Nina, seguido de um passeio pela chácara para conhecer a horta e o sistema de compostagem. As crianças também participarão de vivências de pintura e plantio de mudas que poderão levar para o abrigo. No período da tarde, a programação continua com a apresentação sobre a moeda social Muda, com João Artigos e Mariana Dourado, show do Baque Trinca Ferro com mestre Danilo, encerrando com o Forró dos Cabra de Bigode e quadrilha.
O financiamento do evento é garantido pela Saúva e pela Muda, com ingressos disponíveis na plataforma digital da Muda. “Se o recurso não é suficiente, a gente contribui para fazer acontecer”, afirma Mariana, lembrando de ação semelhante realizada no mês anterior com um show de reggae na Praça de Anápolis.
A Roda de Saberes reflete a missão do Instituto Arandu, como uma ação continuada, de valorizar a arte, a cultura, a segurança alimentar e a agroecologia como instrumentos de promoção da saúde e transformação social. A ação só acontece porque existe uma rede fraterna de relações bem articuladas entre os parceiros envolvidos. E o evento quer justamente dar visibilidade a esses elos.
”A intenção é impactar principalmente quem não tem acesso a uma alimentação agroecológica e quem não tem acesso à diversidade cultural. Porque em Goiás ainda tem muito essa questão da monocultura, tanto na produção de alimento quanto na produção de cultura e de arte, e valorizar também esses artistas locais que fazem o movimento (é nossa missão)”.
Mariana Dourado – Instituto Arandu
Ela continua afirmando que, apesar da monocultura do agro e da cultura, também existe a resistência de muitos artistas que, de suas formas, estão se movimentando. Mariana explica o aspecto formativo, orgânico e integrado dos processos de educação popular que acontecem no Instituto Arandu. “Aprendemos matemática lá na horta com a criança contando em roda, conversando, e isso tem uma força no processo de emancipação. De pensarmos a realidade de forma crítica, que é uma estratégia de fortalecer os nossos laços comunitários, e a cultura como uma expressão política. Da gente resistir independente de uma cultura colonial que vem ou que às vezes está mais posta”, conclui.



A edição atual, formatada para atividades artísticas, conta com diversos parceiros como a Rede Muda Outras Economias, a Companhia Boca do Lixo, especializada em arte e circo, a SouCannabis, que oferece tratamento para pessoas em situação de vulnerabilidade, o grupo de maracatu Baque Trinca Ferro e o Forró dos Cabra de Bigode, O Instituto Federal de Goiás, com a Incubadora de Projetos Sociais, a Universidade Estadual de Goiás, na área de agronomia, além de artistas locais como a circense Nina e o artista visual Bulacha.

A Roda de Saberes do Instituto Arandu é mais que um evento — é um movimento que celebra a resistência, a diversidade, a contracultura e a força da coletividade. Ao unir arte, agroecologia e saberes ancestrais, a iniciativa nos lembra que a transformação social começa com pequenos gestos: uma roda de samba que ecoa, uma Muda circulada ou plantada, um conhecimento compartilhado. Este evento pode servir de inspiração não apenas aos participantes, mas a todos que valorizam as economias solidárias, a cultura local e a conexão com a terra com alegria, resiliência e muita mão na massa.
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