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Q BRÔ: Dança, memória e resistência em corpos que insistem em seguir

Matéria publicada em 16 de junho de 2025.

Uma bailarina clássica e uma artista da dança contemporânea, ambas com trajetórias distintas mas unidas pela mesma geração e pela vontade de dançar o que a vida lhes impõe. Q BRÔ, novo espetáculo de Dudude Herrmann e Lina Lapertosa, chega ao CCBB BH entre 20 de junho e 7 de julho como um manifesto sobre cair, quebrar e, ainda assim, seguir em frente. Com improvisação, memórias do corpo e uma dramaturgia que escancara a fragilidade e a força humanas, a obra é um convite à plateia para testemunhar a arte que nasce da resistência. “É um ofício cheio de percalços, intempéries, acidentes A arte neste país, e em muitos outros, é coisa difícil. É necessário querências, persistir, é Q BRÔ na veia”, comenta Dudude para quem deseja seguir carreira na dança.

Do balé clássico à dança contemporânea: uma parceria que nasceu da querência

Lina Lapertosa, ex-primeira bailarina do Palácio das Artes, e Dudude Herrmann, formada no Trans-Forma Centro de Dança Contemporânea, são duas referências da dança em Belo Horizonte que, apesar de caminhos diferentes, encontraram na maturidade artística um terreno comum. Lina passou a frequentar as ações do Atelier Dudude, seus laços foram se estreitando e um belo dia Dudude a convidou para trabalharem juntas. O convite foi aceito de pronto e o nome apareceu na sequência. “No aprendizado deste ofício arte, vamos aprendendo a ver o já percebido com olhos escancarados, aprendemos a dilatar, alargar nossa percepção”, conta Dudude. O título, que remete a fragmentos (“quebrar, partir”) e afeto (“brô”, como um chamado carinhoso), define o cerne do trabalho: “Quebrar, romper, cair, desistir, estilhaçar, deixar seguir. ‘Q BRÔ’ trata de vida continuada, de caminhos tortos, de retomada da dignidade. É sobre insistir, mesmo quando tudo parece desmoronar”.

Um processo de seis anos, pandemia e até uma fratura

A criação começou em 2019, sem pressa, sem editais, sem prazo e com tempo  – “um luxo”, como define Dudude, uma das ativistas da Rede Saúva Jataí. A pandemia interrompeu os planos, mas em 2023, com apoio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte, o projeto ganhou fôlego. Até que, em janeiro de 2025, Dudude escorregou e fraturou a fíbula. ” Esse processo é como ‘Q BRÔ’ planejamos, mas as coisas acontecem a seu tempo e isso nos mostra como a flexibilidade, o desejo e o perseverar são preciosos”, reflete. Com isso, a estreia, inicialmente marcada para março, foi adiada para junho.

Improvisação e corpo-memória

No palco, elas aguardam o tempo, as horas e as memórias de um dançar escapulido do corpo. De dentro, alargam a “querência” de viver uma duração por meio das sensações que as visitam. Em cena, ações de quebrar, separar, partir, escancarar, insistir e romper estão incorporadas ao ato de dançar. A dramaturgia, apoiada na improvisação, é então utilizada como estratégia para instigar as artistas e o público, criando uma cena viva e vibrante em tempo real. Quando Dudude é perguntada sobre como essa nova produção se relaciona com seus trabalhos anteriores, ela responde: “Confesso que nem penso nisso, sempre tento me atualizar no agora, preciso começar completamente vazia, escutar o ao redor, esquecer de dança de arte para deixar a porta aberta do sensível, ele nos guie”.


Dançamos isso, exercendo a arte do movimento em nós. Humanidades nos atravessam, entramos no espaço e construímos um ambiente propenso para Q BRÔ se instalar.”

 Dudude Herrmann

Rodas de conversa e acessibilidade

Além das apresentações, o CCBB BH promove três rodas de conversa gratuitas após o espetáculo:

  • 21/06: Dudude, Lina, Margô Assis e Thais Mol discutem o processo criativo.
  • 28/06: Marcos Paulo Rolla fala sobre “A Natureza da Arte”.
  • 05/07: Ione de Medeiros aborda “Ecologia das Artes”.
    No dia 06/07, haverá sessão com audiodescrição, garantindo acessibilidade.

Serviço:
 Teatro II – CCBB BH (Praça da Liberdade, 450)
 20/06 a 07/07 – Sexta a segunda, às 19h
 R$ 30 (inteira) / R$ 15 (meia) – Clientes Banco do Brasil têm 50% de desconto com Ourocard

Garanta seu ingresso, acesse: https://ccbb.com.br/belo-horizonte/bh-programacao/q-bro/

Ficha técnica:

Direção/Idealização: Dudude 

Assistência de direção: Margô Assis 

Intérpretes criadoras: Lina Lapertosa & Dudude 

Roupagem da cena:  AUÁ / Patrícia Guerra e Fred Paulino (objetos) 

Cenotécnico: Nilson Alves dos Santos 

Edição / Trilha sonora: Luiz Naveda 

Voz: Margô Assis 

Gravação voz: Frederico Herrmann 

Assistência de produção: Ítalo Augusto 

Coordenação Produção: Patrícia Matos 

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