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Projeto Camponês a Camponês: as realizações em 2024, o processo de autoconhecimento por meio do PAFE e o desafio 2025

Matéria publicada em 29 de novembro de 2024.

O projeto Camponês a Camponês se iniciou em meados de 2023 e o ano de 2024 foi marcado pela consolidação. Consolidação da sinergia do coletivo, da percepção de que são promotores e promotoras da agroecologia, consolidação de um coletivo que se encontra mensalmente para o alinhamento do trabalho diário pelo fortalecimento da Rede Agroecológica Camponês a Camponês Jabó a Santana.

Por meio do projeto Camponês a Camponês, o agricultor constrói sua formação tendo como referência a metodologia Campesino a Campesino, como o agroflorestor e parceiro do projeto, João Portella, costuma dizer. A fase inicial do projeto foi marcada pela identificação e caracterização dos camponeses que compõem a rede e de formação dos facilitadores. O facilitador é um protagonista na relação do produtor com a rede de apoio técnico, na recepção de pessoas na propriedade, no desenvolvimento da metodologia, no diagnóstico e monitoramento constante da unidade agrícola familiar. Durante os trabalhos de 2024, a rede identificou a necessidade de promover de forma mais sistemática a formação dos facilitadores, a compreensão que ele não precisa ser, por exemplo, um técnico agrícola, que não é a sua função; que ele precisa assessorar o agricultor no acesso a esse técnico e de preferência levar esse técnico até a propriedade. Os agricultores começaram a sentir falta de um aprofundamento e ampliação do autoconhecimento, de um diagnóstico da própria rede, suas qualidades, onde são mais promotores, onde ainda estão no processo e onde ainda falta muito a aprender. Dentro deste contexto, o projeto recebeu o desafio do PAFE, que é o financiamento da formação.

“O PAFE trouxe o elemento que nos faltava. Conseguimos rodar todas as propriedades e, além de enriquecer a rede de apoio técnico, trazer profissionais que trabalham com os sistemas agroecológicos e agroflorestais, muito parecidos com os nossos, que nos trouxeram muito conhecimento sobre planejamento, escalonamento, comercialização, precificação e compreensão de quais produtos fazem mais sentido plantar. Dentro do PAFE, identificamos a importância de trabalharmos o carro-chefe da propriedade, que é o produto (ou uma cartela de produtos) que o produtor identifica como o mais comercial. E que às vezes, um produto não é tão comercial, mas é importante para a minha identidade. Então onde colocá-lo no meu sistema produtivo?”

Luiz Felipe Lopes Cunha É cofundador e associado da Associação Amanu, feirante na feira Raízes do Campo, agricultor agroecológico e bioconstrutor.

Com a formação no PAFE, o facilitador passou a compreender que o seu papel é muito mais de observador do aprendizado, da identificação das deficiências dos promotores e da conexão entre eles pela busca da solução dos problemas.

Os módulos trabalhados durante o ano de 2024 foram: irrigação, planejamento, agrofloresta e sistemas agroflorestais, transição agroecológica, solo e planejamento econômico da produção. “Em terrenos muito pequenos, por exemplo, a alface pode gerar mais renda por m2 que o café. E no sistema sintrópico podemos ter ainda mais renda por m2”, explica Luiz. O processo de aprendizado foi muito revelador para os agricultores recentes e muito promissor para os mais velhos, pois a partir do curso, os agricultores passaram a planejar melhor suas propriedades e fazer alterações significativas no modo de plantio, nas suas experimentações. A experimentação é uma característica importante da metodologia Camponês a Camponês. Luiz Felipe revela que não vê resistência, pelo contrário, que ele vê muito é “vontade de aprender”.

Outra colheita muito positiva de 2024 foi a relação dos produtores com o Armazém do Campo. O método Camponês a Camponês estimulou essa conexão entre as partes, o que possibilitou um melhor planejamento por parte dos produtores para atender às demandas do armazém. As vendas do armazém aumentaram e tem se mantido num crescimento contínuo, pela primeira vez pós pandemia.

Os encontros de 2024 consolidaram também uma parte da metodologia muito significativa que é o Mutirão, de manejo ou de implantação de áreas.

O desafio para 2025 é expandir a comunicação para que mais promotores recebam escolas, outros agricultores e consumidores nas suas propriedades; para que seja ampliada a compreensão do que é a agroecologia, seus benefícios para a saúde, no combate às mudanças climáticas, pela qualidade de vida no campo e na cidade, para a vida das famílias, para a geração de emprego e renda, na preservação do cerrado.

“A certeza de todas é que a agroecologia é uma excelente forma de produção, que as técnicas agroecológicas enriquecem sim o solo, é um trabalho para uma forma de alimentação saudável e a produção consegue sair, mas exige seus ajustes. O Camponês e o PAFE se mostraram dois pilares fundamentais para o desenvolvimento dos trabalhos no território. Eles trouxeram a perspectiva do crescimento do conhecimento, da comunicação entre o grupo e da sinergia do trabalho.”

Luiz Felipe Lopes Cunha – ASSOCIAÇÃO AMANU
Luiz Felipe Lopes Cunha

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