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Programa Teia da Terra conclui terceiro ano de atividade, garantindo recursos para comunidades quilombolas e segurança alimentar para famílias do Serro

Matéria publicada em 24 de janeiro de 2025.

O programa Teia da Terra concluiu o 3º ano de atividade em dezembro passado. Desde 2022 são entregues 2.000 cestas de alimentos por ano no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) do município do Serro, situado na região Centro-Nordeste de Minas Gerais. No CRAS existem 100 famílias cadastradas, que recebem os produtos das cestas a cada quinze dias.

As verduras, hortaliças, legumes e demais hortifrutis das cestas são comprados de produtores de comunidades quilombolas de Santa Cruz, Baú e Ausente, na região. A cada três semanas são pagos R$ 1.750 para cada comunidade produtora, por 50 cestas.

O coordenador da Teia da Terra, Bruno Mallmann, destaca o cumprimento das metas anuais na entrega das cestas. “Todos os agricultores estão muito satisfeitos com a regularidade do projeto, porque quase toda semana a gente está lá, e isso é algo que garante esse recurso a cada 3 semanas, o que é muito importante pra eles”.

Esses R$ 1.750 são divididos por dez famílias de agricultores. Cada agricultor ganha cerca de R$ 2.000 por ano. “Pra quem está na cidade grande, numa capital, esse valor pode não significar muita coisa, mas para o agricultor, faz muita diferença no orçamento”, lembra Bruno. Outros programas estaduais e federais também compram verduras das comunidades, mas o pagamento é feito com prazos maiores. A Teia da Terra paga as comunidades sempre no ato do recebimento.

A continuidade do programa também amplia a perspectiva das famílias de agricultores rurais, que atualmente conseguem produzir com maior variedade, com a segurança de que a comercialização dos produtos é certa, já que o pagamento é garantido e a curto prazo.

A sequência do projeto foi aprovado pela Saúva, o que garante uma segurança para as comunidades – que poderão seguir produzindo para além do consumo próprio. “Nossa ideia é fazer uma campanha de financiamento coletivo, para conseguir o recurso que falta para chegar nessas 2.000 cestas anuais, já que tínhamos o apoio de outro parceiro, que não deve seguir esse ano. Além disso, estamos buscando alternativas de comercialização direta para esses produtores quilombolas, em mercados e feiras, por exemplo, para conseguirmos um ganho maior e reverter isso para as cestas”, reforça.

Para 2025, o projeto é valorizar os produtos das comunidades, para potencializar a comercialização dos hortifrutis, que naturalmente, são todos orgânicos. “Queremos qualificar cada vez mais o produto deles, colocar numa embalagem mais atrativa o arroz, o feijão, o fubá, e procurar mercados que valorizem isso. Seria um diferencial em relação aos anos anteriores. A ideia é ampliar essa rede de logística para a venda dos produtos. Coletar os alimentos, classificar, pesar, e embalar de forma interessante”, afirma Bruno Mallmann.

Agricultura biodinâmica

Outra meta cumprida em 2024 foi a realização de três oficinas de agricultura biodinâmica para as comunidades quilombolas que produzem as cestas. A consultora Andrea D’ângelo, especialista sobre o assunto, veio de Botucatu (SP) para ensinar aos produtores novos técnicas e elementos para um plantio mais eficiente.

“A realização dessa oficina foi uma coisa nova pra gente também, porque foi a primeira vez que tivemos acesso a esse assunto”, disse o coordenador. Na primeira oficina participaram as comunidades de Santa Cruz e de Ausente. ‘Na terceira reunião fomos até a comunidade do Baú, que não participou das outras oficinas, e a gente fez o biofetilizante biodinâmico (adubo líquido orgânico) com eles”, disse Bruno.

Ele disse que a realização das oficinas de agricultura biodinâmica possibilitou novos olhares para todos. “Um dos participantes falou pra gente, ‘tudo isso aqui é muito novo, é quase difícil de acreditar’. O biofetilizante biodinâmico é feito à base de esterco e outros alemento vegetais e minerais que contribuem para a nutrição física do solo, através dos micro e macronutrientes. E os preparados biodinâmicos presentes no biofertilizante favorecem a conexão do mundo vegetal com o cosmos. As agricultoras quilombolas ficaram felizes em conhecer um pouco da agricultura biodinâmica e fortalecerem, através desses princípios, a ideia que já cultivavam da importância do cuidado com a terra”, completou o coordenador.

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Por Paulo Boa Nova.

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