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Organicidade se empenha na regeneração das cidades

Matéria publicada em 19 de dezembro de 2022.

Iniciativa dos ativistas Daniel Gabrielle e Alice Worcman promove cursos, oficinas, jornadas de conhecimento e desenvolve projetos e mutirões

Nesta edição da série dos Ativistas da Rede Saúva Jataí, conhecemos a Organicidade, uma iniciativa que promove pesquisas sobre Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs), atua em rede, regenerando ambientes e ecossistemas utilizando saberes ancestrais e novas tecnologias a fim de melhorar a vida nas cidades. A dupla de ativistas Daniel Gabrielli e Alice Worcman, idealizadora e fundadores da Organicidade, oferecem cursos e oficinas sobre reconhecimento, plantio e experimentação das PANCs. Também, realizam mentorias, consultorias e atividades sobre jardins comestíveis, alimentos sem veneno, projetos de paisagismo comestível e divulgação de textos e conteúdos científicos sobre agricultura periurbana (em áreas urbanas).

A Organicidade também tem um Jardim Escola no bairro Santa Tereza, no Rio de Janeiro (cidade sede da iniciativa) onde além de aulas, há um berçário de espécies e são feitas pesquisas com as plantas. Daniel conta que o trabalho na Organicidade em 2020, devido à pandemia, teve de ser direcionado aos cursos e atividades online; mas que agora, em 2022, ele e Alice iniciaram o planejamento de reabertura das atividades presenciais; e o trabalho segue com foco também nas jornadas de conhecimento, gratuitas, transmitidas via redes sociais do projeto (@organicidade).

Alice Worcman é idealizadora da Organicidade, especialista autodidata em PANC (Plantas Alimentícias Não Convencionais), pesquisadora da biodiversidade alimentícia, formada em Design para Sustentabilidade pelo Gaia Education Brasil. Se especializou com Ernst Gotsch, Valdely Kinupp, Vera Fróes e Nat Muguet. Cursou Medicina Chinesa na Asbamtho e é praticante e aprendiz da agricultura urbana.

Em 2020, devido à pandemia, o trabalho foi direcionado aos cursos online; e, em 2022, iniciou o planejamento de reabertura das atividades presenciais. Contudo, com foco ainda segue nas jornadas de conhecimento gratuitas via redes sociais. E esta atividade é importantíssima para aumentar o conhecimento sobre as possibilidades de alimentação saudável dentro das cidades, engajar mais produtores de alimentos e para levar mais soluções sustentáveis e ecológicas para a arquitetura e urbanismo nas cidades.

Daniel Gabrielli é sócio-fundador da Organicidade, Bacharel em Pintura pela EBA-UFRJ, pós-graduado em Licenciatura e gestor de projetos. Realiza prototipagem de soluções sistêmicas ,é aprendiz de ciclos naturais e também se especializou com Ernst Gotsch e Valdely Kinupp.

Este ano, Daniel destaca que, desde a pandemia, as jornadas de conhecimento tem sido importantes nestes objetivos; ele conta também sobre o Curso promovido em parceria com Vera Fróes, estudiosa e referência na pesquisa sobre plantas medicinais, e Dominique Barter, especialista em Comunicação Não-Violenta. A Organicidade ainda foi responsável pelo cenário do Ciclo de Estudos Selvagem, por um evento do Dia das Crianças com a Coca-Cola; realização das oficinas de Plantio, Impressão Botânica e Percepção da Natureza.

Oficina da Organicidade realizada na Marina da glória (RJ)

Para Daniel Gabrielli, o apoio da Saúva tem sido essencial no sentido de disponibilizar o básico para manter o funcionamento da Organicidade, e principalmente, para viabilizar a produção de conteúdo para redes sociais sobre PANCs e agricultura; amplificar a mensagem que transmitem; promover as jornadas de conhecimento; e formar o capital de giro e infraestrutura que mantém a iniciativa.

Para o ano que vem, 2023, os ativistas Daniel e Alice estão focados na produção de mais conteúdo sobre agricultura saudável urbana, agroecologia transversal e educação através da permacultura, praticas que se somam na sustentabilidade do ecossistema e são soluções inteligentes para melhoria da qualidade de ida nas cidades.

Soluções Organicidade

Jardim de Chuva na Lapa, bairro do Rio de Janeiro

Um Jardim de Chuva é uma solução inspirada na natureza para áreas que são impermeáveis, quentes, pouco resilientes e monótonas. Funciona como um sistema de biorretenção onde as raízes das plantas ajudam a filtrar os poluentes e sedimentos finos da água de chuva e também permite que maior quantidade de água chegue ao solo. Ajuda a diminuir a temperatura na área, uma vez que troca o solo impermeável por um solo permeável com plantas que refrescam o local. Também serve de alimento para a biodiversidade da fauna local e cria as conexões com os ecossistemas urbanos através do plantio consorciado. É uma tecnologia que torna as cidades mais resilientes aos efeitos da crise climática, possui inúmeros benefícios que vão desde a redução dos efeitos da ilha de calor, a maior permeabilidade do solo e promoção da biodiversidade local criando conexões com os ecossistemas urbanos.

Jardim Olho D’Água

O Mutirão Olho D’Água foi uma ação para desenvolver um paisagismo funcional urbano com o objetivo de recuperar o solo em uma área histórica da cidade, a área dos canteiros da praça Cardeal Câmara adotada pela Fundição Progresso com a Fundação Parques e Jardins. Ali existia um olho d’água da antiga Lagoa do Boqueirão, aterrada durante a urbanização do Rio de Janeiro no séc XIX. 

Projeto de Paisagismo Regenerativo

O objetivo desse projeto foi criar um espaço onde os moradores pudessem andar descalços em contato com o verde e colher direto da horta o seu próprio alimento e medicina.

Paisagismo Comestível no .Org Bistrô

O projeto do .Org Bistrô foi pensado em conjunto com a chef Tati Lund com o objetivo de transformar a fachada do restaurante em um jardim somente com plantas comestíveis aproveitando os utensílios de cozinha que normalmente são descartados quando não funcionam mais.

Bolsa Ativistas

A Associação Cultural Saúva ajuda a promover iniciativas de impacto positivo e regenerativas através de Bolsas de Ativismo. São propostas de ativistas que promovam transformações reais em suas comunidades nas áreas de Agricultura Agroecológica, Educação, Iniciativas Artístico-culturais, Plataformas Colaborativas/Moedas Complementares e Apoio a Povos Tradicionais.

Em 2023, a Associação Cultural Saúva irá apoiar 5 ativistas com uma bolsa mensal no valor de R$ 5.000,00 para o desenvolvimento e manutenção das atividades durante um ano, totalizando R$60.000,00. Como contrapartida, os selecionados trarão um pouco da expertise de cada um para fortalecer as iniciativas da Rede Saúva Jataí através de articulações proativas e estimulando a circularidade das ações.

Esta ação teve início em 2022, com apoio a ações de 5 ativistas: Dudude Herman, da área da Dança, Mônica Calderón (moedas complementares, educação e atividades em rede), Sandra Gonçalves (Finanças), Organicidade (Agricultura Orgânica Urbana) e Débora Saraiva (Educação).

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