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Laboratório Terra Orgânica finaliza o ano com várias Centrais de Compostagem criadas e muitos aprendizados adquiridos

Matéria publicada em 29 de novembro de 2024.

O Edital de Compostagem do Laboratório Terra Orgânica movimentou o ano de todos da iniciativa e das participantes da consultoria em compostagem. A ideia de compartilhar seus saberes e experiências em compostagem com a Rede Saúva Jataí veio seguida da elaboração da proposta, aprovação e início da criação das Centrais de compostagem. Mas, como toda ideia, precisou sofrer ajustes e adaptações aos locais e realidades em que se encontravam, para então ser posta em prática. Esse edital promoveu um fortalecimento dos vínculos entre o Laboratório Terra Orgânica e as iniciativas que foram aprovadas, assim como outras que não foram aprovadas diretamente, mas também participaram dos encontros virtuais. Exigindo um comprometimento de todos para as realizações das atividades propostas, como o desenvolvimento do hábito de compostar, o manejo adequado da composteira e o produto final que é o composto orgânico. Para isso, foram realizados encontros mensais com as teorias e práticas de compostagem, acompanhamentos dos padrinhos de cada projeto e, na última fase, as “lives” com projetos que são referência em compostagem no Brasil. Os encontros e lives estão disponíveis no link abaixo e constituem um material rico para quem deseja implementar essa prática em sua comunidade: https://youtube.com/playlist?list=PLnlFWWMXLTYzYT-nxCCrSDXOgJoDl_PGT&si=TW4sZFTdJ8LrAwz0

A última capacitação coletiva do Edital trouxe a visão empreendedora da Luiza Corradini

Um dos idealizadores do edital e gestor do Terra Orgânica, Edson Prado, fala de todo o processo que passaram da redação do edital aos contratos com os aprovados e que isso também trouxe crescimento e amadurecimento para eles. “Com esse edital, tivemos a oportunidade de ter uma bagagem para conseguirmos fazer aquilo que queremos: que é sustentar uma plataforma de incentivo à compostagem e, principalmente, a compostagem comunitária”, comenta. Durante o ano, eles colocaram em prática suas experiências, fomentando e trabalhando com iniciativas que nunca haviam trabalhado com compostagem ou que já trabalhavam de outras formas e que a partir do treinamento modificaram sua prática, realizando assim a compostagem termofílica (em alta temperatura). Segundo Edson, uma das atividades mais importantes foi fazer as pessoas entenderem que o registro das quantidades de resíduo orgânico, armazenados semanalmente nas leiras, eram fundamentais para o sucesso da empreitada. “No final das contas, queremos que as iniciativas que executem as tarefas da compostagem façam os registros para nós gerarmos os dados. Com esses dados, nós podemos ir atrás de investidores para as centrais de compostagens”, explica.

A experiência do Edital de Compostagem trouxe benefícios mútuos

Outro ponto importante dentro da proposta do Laboratório Terra Orgânica é a descentralização das Centrais de Compostagem, porque acreditam que os resíduos devem ser decompostos no próprio local onde são gerados. Se não for dessa forma, o raio de atuação e de recolhimento dos resíduos fica muito grande e pode impactar negativamente com o aumento de mão de obra e custos de transporte, por exemplo. Edson complementa que os integrantes do Terra Orgânica poderiam “aumentar o nosso espaço, a mão de obra e a coleta, mas não faz sentido para nós.  Então, hoje, conseguimos estar mais divididos em outros pontos. Aumentamos o volume de resíduo e junto com isso aumentamos o número de centrais, de pessoas impactadas, de trabalho e de redistribuição de renda. Não ficamos só com o foco em nós mesmos”.

Essa experiência os possibilitou ver o que acontece na vida real das iniciativas e de os aproximar às centrais de compostagem, mesmo à distância. A facilidade de implementar outras centrais próximas a Florianópolis já havia sido vivenciada, pois qualquer demanda que precisasse ser resolvida, bastava ir até o local e orientar os composteiros. Mas, com a distância vieram outros desafios ‘online’ que precisaram ser resolvidos por meio de áudios e vídeos que recebiam dos participantes para, dessa forma, entender a situação e sugerir soluções.

O engajamento da comunidade local é fundamental para os objetivos finais

Toda essa experiência e aprendizados com as iniciativas no Edital de Compostagem poderão ser  traduzidas futuramente para um Manual de Compostagem, Manual de Registro e Manual de Envolvimento Social. “Foram trocas muito grandes mesmo! Estávamos passando conhecimentos de compostagem, mas recebemos tantas coisas que nos fortaleceram em tantos lados… Como a parte de buscar a legislação (de compostagem), que até então não havia necessidade. O projeto desse ano foi bem enriquecedor quanto a isso”, conta Edson. Quando se depararam com questões de sustentabilidade financeira de alguns projetos, por exemplo, eles descobriram que há uma legislação específica de compostagem. Ela determina que devem ser feitos uma série de testes para comprovar se o composto está apto ou não para ser vendido para a agricultura. A quantidade de resíduo compostado nas centrais, que não é tão grande, permite que a equipe tenha um acompanhamento melhor do que é jogado nas leiras. Se há algo inorgânico, ele é imediatamente retirado da composteira e isso garante a qualidade do composto final.

Conexões fortalecendo as teias da Rede

A maior proximidade entre as iniciativas que participaram do edital, principalmente as três aprovadas (Jardim do Beija-Flor, Centro de Tradições Ilê Asè Egi Omin e Mutirão Agroflorestal do Assentamento Sepé Tiarajú), e o Laboratório Terra Orgânica, trouxe muitas trocas entre todas. Cada uma delas teve seu “Padrinho” que acompanhou de perto todo o processo, dando assistência às demandas e acompanhando as instalações das centrais. Pelo ponto de vista do Laboratório Terra Orgânica, Edson Prado fala que todas iniciativas, inclusive eles, tiveram que passar por um período de adaptação aos processos de compostagem. As iniciativas por estarem iniciando suas centrais de compostagem e o Terra Orgânica por ter que entender que os parâmetros propostos, mesmo que mínimos, tinham o trabalho de anos deles como referencial e não as realidades de cada uma. São aprendizados mútuos que mostram a sabedoria para se entender cada realidade, o tempo e as condições para serem postas em prática. Após esse período de entendimento e adaptações, as Centrais começaram a funcionar bem e desenvolveram suas ações de compostagem ao longo do ano.

O desafio para 2025 é tornar esses conhecimentos em compostagem termofílica acessíveis para toda a Rede Saúva Jataí e outras. Todas escolas, centros comunitários, produtores agroecológicos, quilombos e povos indígenas podem desenvolver suas composteiras e desenvolverem seus próprios adubos orgânicos para o plantio e jardinagem. “O que mais temos aprendido é com as dificuldades. Porque notamos que há muito o que melhorar. Pensávamos que as ideias estavam prontas e era só executar. E executando podemos ver que tem uma ou outra questão para ser olhada com mais atenção. Para o próximo ano, por exemplo, pensamos em pagar o valor referente de cada iniciativa proporcional à quantidade de resíduo manejado”, conta Edson. Ele conclui dizendo que a intenção é compartilhar esse conhecimento com o país inteiro e, em especial, junto de processos de arte-educação que potencializam demais o aprendizado com as novas gerações e é um jeito de romper barreiras. “Conseguirmos acessar as pessoas por outro lado que não é o da internet, mas o lado lúdico, o lado mais criança”, conclui.

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