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Festão: centenário da Fazenda São Luiz e 20 anos do projeto Arte na Terra

Matéria publicada em 7 de dezembro de 2022.

Ano emblemático para a Fazenda São Luiz (São Joaquim da Barra/SP) e para o Projeto Arte na Terra: a fazenda que abriga o projeto educacional e agro-ambiental faz 100 anos de construção, junto dos 20 anos de atividade do projeto encabeçado por Rodrigo Junqueira e Denise Amador. Para a comemoração de 100 anos, está em andamento a criação do Centro de Memória com a colaboração de historiadores, para desenvolver o conteúdo do espaço. E dia 26/11, o Arte na Terra celebrou, junto do centenário da fazenda, o aniversário de 20 anos numa festa com amigos, parceiros do Arte na Terra e da fazenda São Luiz para revisitar e honrar as histórias de ambos.

A comemoração na fazenda reuniu antigos moradores e funcionários que construíram, na prática, a história de lá, conta Rodrigo Junqueira, educador e neto do fundador da Fazenda São Luiz. Na festa, cerca de 160 convidados dividiram casos, lembranças, revistaram os espaços onde moraram ou trabalharam, foram na cachoeira e puderam ver o plantio e as máquinas antigas, com um outro olhar. A Orquestra de São Joaquim da Barra se apresentou e fez muito sucesso, comenta o educador.

A festa reuniu parceiros, colaboradores, artistas e amigos

Denise Amador, a Potô, convidou também todos os educadores que passaram pelo Projeto Arte na Terra nesses últimos 20 anos. “Foi um momento muito rico; (…) eu conectei vários educadores antigos, que já passaram pelo projeto. Podemos dizer que 73 educadores foram formados nessa escola do Arte na Terra, que junta arte, ecologia, agroecologia, agrofloresta, muito afeto e dinâmicas específicas”, relembra Denise.

Em 20 anos, o Arte na Terra ajudou a formar dezenas de educadores e promoveu dinâmicas, encontros e muitas atividades com escolas.

“Essa oportunidade de mobilização que um aniversário ou uma data trás foi também muito importante para a valorização do projeto pois, para além de outros projetos semelhantes e belos, aqui nessa região, o que plantamos e conseguimos mobilizar há 20 anos (é significante) numa região pautada pelo agronegócio e pela monocultura, pouco diversa e com pouca conexão com a natureza: acho que conseguimos bastante coisa”, reflete Denise.

A abertura da festa contou com show de Mônica Besser, autora de repertório que faz sentido e dialoga com o que o Arte na Terra faz: são trabalhos inspirados na conexão entre arte e natureza. Também teve show de artistas locais com sertanejo raiz, forte na cultura caipira, e forró.

Ainda na festa de celebração dupla de aniversário, o Grupo da família Uirá Mirim apresentou uma intervenção teatral na cachoeira, com espetáculo de luzes. “Foi muito bonito, muito encantador, uma noite mágica! Todos saíram muito felizes e tocados com a ciranda e músicas Yawánawá. Teve de tudo, comidinhas maravilhosas e deu tudo certo, foi muita celebração”, comemora Potô.

A apresentação do Grupo Uirá Mirim foi realizada na cachoeira da Fazenda São Luiz.

“Essa festa é, acima de tudo, para celebrar esse lugar de muitos encontros. Muita gente se conheceu aqui, começou a namorar e está casado. É muito legal de pensar nisso, tanto que botamos no centro do refeitório uma estrela para ser um ponto de luz, para se juntar com outras. E, realmente, eu sinto que tem isso, de atrair gente boa; e isso é uma outra missão nossa”.

Denise Amador – Projeto Arte na Terra e Fazenda São Luiz

Plantando o futuro

O Arte na Terra está, atualmente, finalizado um audiovisual sobre o projeto, com apoio da Saúva e previsão de lançamento para o início de 2023. É um documentário em curta metragem, com cerca de 20 minutos, que faz um retrospecto destes 20 anos de atividades do Arte na Terra.

Para o ano que vem, de acordo com Denise Amador, a proposta é aumentar o trabalho de educação, arte, agroecologia e agroflorestas com escolas públicas da região; a ideia é buscar subsídios para facilitar a vinda das escolas e aproveitar tudo o que a fazenda e o Arte na Terra têm a oferecer. Ela aponta caminhos para essas parcerias: “dessa forma, conseguiríamos ter projetos com escolas públicas da região, carentes de possibilidades e oportunidades; e, se oferecermos algo assim, podemos deslanchar outros projetos. Algumas delas (escolas) já tem seus projetos, tem espaço físico para plantar suas agroflorestas e falta um pouco desse engajamento”.

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