Matéria publicada em 12 de agosto de 2025.
A CSAA (Comunidade que Sustenta a Arte e a Agroecologia) Confraria da Horta, em Florestal/MG, tem mostrado que é possível lidar com a produção de alimentos orgânicos de forma saudável e trabalhar a terra de forma colaborativa. Para isso, os gestores Daniel Novaes e Carolina Zaratini recebem voluntários de várias partes do Brasil e do mundo, que trocam seu trabalho por aprendizado prático em agrofloresta. Mais do que mão de obra, esses visitantes levam consigo uma nova forma de enxergar nossa relação com a natureza e com os alimentos. Para quem busca uma experiência diferente, longe do ritmo acelerado das cidades, a Confraria oferece a chance de reconexão com a terra, com as pessoas e consigo mesmo. Basta chegar com o coração e mente abertos e as mãos dispostas a trabalhar.
Uma experiência de mão dupla
Toda semana chegam novos voluntários à Confraria da Horta. Em julho, o projeto recebeu um jovem de Cuiabá, outro de Belo Horizonte e agora se prepara para receber uma visitante da República Tcheca. Eles vêm em busca de algo que vai muito além de um simples trabalho voluntário: a chance de colocar a mão na massa e aprender na prática como funciona um sistema agroflorestal.
Daniel Novaes explica que os participantes ajudam em todas as etapas do processo – desde o preparo dos canteiros até o plantio, rega e manejo das hortaliças. “É o que tem nos salvado, de certa forma, porque dá uma força muito grande no dia a dia. O trabalho nessa época do ano é muito intenso, é época de muito plantio, de muita renovação de hortaliças”, explica.
Aprendizado na prática
Os voluntários participam ativamente do dia a dia da propriedade. Pela manhã, trabalham no campo. À tarde, podem descansar, meditar ou continuar aprendendo de forma mais tranquila. “Não queremos reproduzir a pressão do sistema capitalista”, explica Daniel. “Chamamos de imersão agroflorestal, com a conexão da natureza mesmo. A gente tenta se promover aqui a um ser atuante dentro do sistema da natureza”.
Muitos saem da experiência transformados. “Eles trazem muito essa fala, principalmente quando já estão indo embora, porque vêm esperando alguma coisa, mas o que na prática acontece mesmo é muito mais do que eles esperam. Porque rola essa interação com a gente também, justamente, a troca. Eles trazem a mão de obra, ajudam a gente e também nos dão a oportunidade de falar e contar a nossa vivência”, conta Daniel. A agrofloresta, mais do que uma técnica agrícola, se revela uma forma de reconectar o ser humano com a terra, o alimento e a natureza, o que Daniel chama de laborterapia. “Uma forma de enxergar a natureza, entendendo que a gente é parte dela, e não uma coisa estranha”, explica.
Segurança em primeiro lugar
Atualmente, os voluntários assinam um termo de responsabilidade, mas os gestores já pensam em criar um documento mais completo onde os combinados e as regras serão acertados. A segurança também é prioridade. Todos recebem orientações sobre o uso correto de ferramentas e equipamentos de proteção. “A pessoa tem aptidão, está a fim de mexer com terra, com enxada, com facão, mas são coisas perigosas. Também exigimos estarem sempre com uma botina e óculos de proteção. Então a gente também se preocupa com essa questão da proteção”, alerta Daniel.
Um convite aberto para uma estrutura acolhedora
Para receber os visitantes, a Confraria investiu em alojamentos simples mas confortáveis. São quartos individuais e coletivos, banheiros e uma cozinha comunitária, para atender voluntários, parceiros e escolas. “Nós estamos aqui esperando, venham todos e sejam muito bem-vindos, todos e todas participantes da Rede. Todas as nossas saúvas, vamos vir aqui manejar e podar”, convida Daniel.
A Confraria mantém suas portas abertas para quem quiser viver essa experiência. Não é necessário ter conhecimento prévio – apenas vontade de aprender e trabalhar em equipe. “Como diz a música da Potô (Denise Amador), só sai agrofloresta se tiver mutirão e muita festa”, brinca Daniel.
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