Matéria publicada em 29 de novembro de 2024.
As imersões da Jornada da Mata, realizadas nos meses de setembro e outubro passado, no Rio de Janeiro, contaram com a presença de um público numeroso e ofereceram atividades diversificadas aos participantes. A 5ª imersão do ano, com o tema “Outras Economias”, foi realizada no dia 28 de setembro passado no Centro de Tradições Afro-brasileira do Ylê Asè Egi Omim, situado no coração de Santa Teresa.
Uma parceria com o Espirais Transfluentes, projeto multicultural criado pelo artista João Carlos Artigos possibilitou a oferta de dois espetáculos circenses além da oferta de uma oficina sobre o tema da imersão, que aconteceu após uma roda de conversa com duas convidadas – a oficina foi ministrada pela equipe da Rede Muda e trouxe uma vivência sobre Fluxonomia 4D, buscando desenvolver as potencialidades de cada participante. Na última atividade do dia, o público assistiu aos espetáculos cabeça de nego e noite do sorriso negro do artista João Artigos.

“Foi muito legal, porque os participantes tiveram uma experiência de contemplação na última atividade. Para eles foi uma oportunidade de perceber que a arte também está inserida no tema das outras economias. O circo do João Artigos já é uma forma de se praticar isso”, disse Luna Pesce, uma das gestoras do Jornada da Mata.
Ela conta que o público participou das atividades com muito interesse. Além da equipe da Jornada e os inscritos, dessa vez a imersão contou com a ilustre presença do pessoal do Ylê Asè Egi Omim.


Sexta imersão
A outra imersão, a sexta do ano, aconteceu no dia 26 de outubro na Casa Bosque, em Campo Grande, Zona Oeste do Rio de Janeiro, com o tema “Comunicação”. Uma parceria realizada com o Centro de Arte Solar, criada por Anna Sol, uma das bolsistas de 2023 da Jornada, possibilitou que o encontro recebesse um público numeroso, cerca de 40 pessoas.
A atividade do dia foi iniciada com uma oficina de pintura e desenho, com o nome “Comunicarte”, que buscou desenvolver o tema da comunicação através dos símbolos, para que as pessoas pudessem se expressar através da arte. O curso foi ministrado pelo Muller Portella, que se formou na primeira edição do curso e agora é um germinador da Jornada da Mata.

Em seguida, uma oficina de toques de Maracatu, com o Coletivo Baque Mulher, originado na comunidade do Pina, em Recife (PE), mobilizou o público com ensinamentos sobre cultura popular, comunicação dos tambores, a história e a cultura do ritmo, além da aula prática. A oficina foi ministrada pela Dadá, cria da comunidade do Bode – onde o movimento do baque mulher nasceu – e pela Lu Ponce, ambas ministram as oficinas do baque mulher semanalmente no rio de janeiro seguindo os ensinamentos da mestra Joana, fundadora do movimento baque mulher e a primeira mestra mulher no maracatu, algo da maior importância para romper com valores machistas e patriarcais. “E não tem como falar de feminismo sem fazer o recorte racial, e trazer o contexto cultural. Esses temas atraíram grande interesse da turma e trouxeram boas discussões”, acrescenta Luna Pesce.
Poesia e sensibilidade
A terceira oficina da imersão teve como tema a Poesia, e foi ministrada pela ativista e multiartista Anna Sol, que foi fruto da 1ª turma do Jornada da Mata em 2023, ela conta que costuma definir a Casa Bosque como ‘o nosso Circo Voador’. Lá nós realizamos várias atividades culturais, só que com poucos recursos”, diz Anna Sol.
“Foi um dia especial, em que começamos formando um círculo com uma árvore no meio. A gente falou como ia ser a Jornada, quem nós éramos, quem somos. antes de começar fizemos uma oração, depois ficamos em silêncio, e isso depois da Oficina de Maracatu”, conta Anna Sol, demonstrando os movimentos de expansão e contração que aconteceram no dia. A oficina de poesia desenvolveu a sensibilidade, o sentimento do aqui e o agora, trazendo os participantes para o instante presente.


Depois disso, o público participante pôde registrar o feedback sobre a experiência, escrevendo sobre o que foi, o que significou esse encontro da Jornada para eles. “Foi muito bonito, fizemos também um momento de poesia falada, e terminamos da mesma forma que começamos, de mãos dadas, com os participantes dizendo que se uniram para fazer o que não conseguem fazer sozinhos”, relata.
Essa atividade, para Luna Pesce, foi especial, porque a Anna Sol buscou desenvolver uma comunicação mais próxima. “Os alunos formaram duplas, e ela também destacou a importância de se ter a escuta, e depois a fala, ou seja, ouvir o outro”, disse Luna.
No final, aconteceu uma roda para que os presentes pudessem falar um pouco sobre o que criaram na oficina. Luna Pesce disse que o saldo da imersão em Campo Grande foi muito positivo. “Nesse dia em especial, estivemos pela primeira vez em parceria com um projeto de uma das germinadoras, o Centro de Arte Solar, e isso foi muito incrível. é uma sensação de dever cumprido ver esse círculo girando, quem se formou em 2023 atuando como educador em 2024 e trazendo ótimas propostas e vivencias para o coletivo”, concluiu.
Por Paulo Boa Nova.