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Arraiá na Mata: Forró do Kiko reúne grandes nomes da música em festa única para fortalecer o Centro de Tradições e Escritório da Mata no Rio

Matéria publicada em 7 de agosto de 2025.

Imagine um forró que começa na raiz, mas cai para a improvisação psicodélica, onde sanfona dialoga com flauta de samba, baixo e percussão.  E não é um forró qualquer, o Forró do Kiko conta com a experiência de quase três décadas do seu líder, Kiko Horta, acompanhado de músicos que já acompanharam Sivuca, Paulo Moura, Martinho da Vila, Dona Ivone Lara, Zeca Pagodinho, Marisa Monte, entre outros. Agora coloque essa mistura em Santa Tereza, no meio da Mata Atlântica do Rio de Janeiro, num terreiro de candomblé que precisa urgentemente finalizar uma obra de readequação e estruturação do espaço e sua cozinha comunitária, que recebem um grande número de pessoas diariamente. Essa é a receita do Arraiá do Kiko — músico, Ebomi iniciado há 14 anos pela Yalorixá Wanda de Omolu e agitador cultural que transforma festa em mutirão. Com participações especiais de Jongo da Serrinha, Cláudio Jorge, Moyséis Marques, Carol Panesi, Negadeza, Mônica Besser e outros, o evento promete ser “uma Praça XV” onde tudo pode rolar, mas com um detalhe: se lotar, ninguém entra mais. “Essa combinação de artistas nunca vai se repetir”, avisa o sanfoneiro, que já levou seu forró de um sobrado recuperado de um incêndio no Centro a lotar a Fundição Progresso. Devido às chuvas, o evento foi remarcado para o dia 15 de agosto de 2025.

Forró do Kiko

Kiko Horta não faz somente shows — faz redes. Quando convoca o Forró do Kiko, reúne desde Ivan Machado (baixista de Martinho da Vila há 30 anos) até Marcelo Mimoso, “o maior cantor de forró do Rio”, passando por Alexandre Maionese, flautista de elite do choro. Mas desta vez, o palco é diferente: o Ponto de Cultura Escritório da Mata e Centro de Tradições Ylê Asé Egi Omim, onde receberão, no sábado, uma constelação de artistas que inclui desde Cláudio Jorge e Moyséis Marques (parceiros de Wilson das Neves) até a cantora baiana Marizelya, do samba de roda, para dançar forró num chão de terra batida.

O motivo é urgente. O Centro de Tradições realizou campanhas de financiamento coletivo para a construção de um barracão, banheiros e cozinha solidária, mas ainda precisam de recursos para finalizar a obra e equipar a cozinha. Kiko nos conta que após derrubarem a uma antiga construção, que estava comprometida, e reconstruírem os banheiros com fossa séptica, ainda “falta o acabamento”. E que além disso, os custos fixos do terreiro não são poucos: “E fora a manutenção da casa, né? Água, luz e IPTU, tudo é muito caro. Passa muita gente por lá. Enfim, é sempre necessário a gente estar trabalhando e se movimentando pra gerar recursos pro espaço de uma maneira que a gente acredita. De forma colaborativa, através da partilha, que é um princípio muito importante para a casa”, explica Kiko Horta.

Ano passado, um Arraiá similar financiou parte do telhado do barracão e, agora, a meta é terminar a cozinha comunitária e os banheiros novos com todos os cuidados que uma área de preservação ambiental necessita.

O Arraiá foi remarcado para o dia 15 de agosto, sexta-feira

História de parcerias e cooperativismo

A festa carrega o DNA do grupo: em 2008, Kiko começou a fazer forrós até de madrugada num sobrado na Rua do Mercado. “Estamos juntos desde a época da Rua do Mercado, quando a gente tinha a sede do Teatro de Anônimo, do Cordão do Boitatá, do Grupo Pedras e da Cooperativa dos Artistas Autônomos. Desde sempre, nos organizamos de maneira coletiva, autônoma, buscando formas de trabalhar diversas manifestações artísticas de forma independente”, explica.

Além do forró, os shows eram “guarda-chuva para choro, samba e balada”, lembra. O local virou ponto de encontro de gerações até ser vendido. Hoje, o projeto cresceu, pois “tudo que começamos a fazer foi ficando grande. O Circo Voador e a Fundição Progresso começaram a nos convidar pra fazer espetáculos. Sempre foram casas que nos receberam muito bem. A primeira vez que tocamos na Fundição foi no espaço Parada da Lapa, a convite do Uirá Fortuna, na época”, relembra Kiko.

O show tem hora para começar, mas ninguém sabe quando vai terminar, devido às participações especiais e às inúmeras possibilidades de trocas. “Com esse tanto de gente, pode virar uma Praça XV e a gente tocar quatro horas. Mas só vou saber no sábado”, brinca.

O Arraiá foi remarcado para o dia 15 de agosto, sexta-feira

Ele nos conta que o ‘Forró do Kiko’ sempre teve uma sonoridade muito calcada na raiz do forró, mas também aberta à improvisação, psicodélica muitas vezes.  A banda é formada por Kiko Horta na sanfona e coro; Rodrigo Schofield na bateria; Jovi Joviniano na percussão; Alexandre Maionese na flauta; Luiz Flávio Alcofra no violão; Ivan Machado no baixo; e sempre com algum convidado para cantar, nesse caso o Marcelo Mimoso, que canta com o grupo desde a Rua do Mercado. “É com essa formação que a gente tem feito essa temporada e que vai ser a base do Arraiá”, relata.

“Pra esse Arraiá, eu chamei pessoas com trabalhos que se afinam com o que a gente faz. Tem o Moyséis Marques, o compositor Cláudio Jorge (uma referência no violão e composição), a Negadeza (mestra da música nordestina), a Carol Panesi (violinista e arranjadora), o Alfredo del Penho, o Jongo da Serrinha com as dançarinas, a Marizelya (cantora de samba de roda da Bahia), a Mônica Besser (cantora e compostitora), o Tyaro (da nova geração do samba) e a Amora Pêra, que está lançando um disco em homenagem aos 80 anos do Gonzaguinha”.

Kiko Horta – Forró do Kiko e Cordão do Boitatá
A festa vai acontecer na sexta-feira, 15 de agosto, devido às chuvas

Kiko finaliza falando da singularidade desta apresentação:  “É um Arraiá no meio da mata, num chão de terra batida, num espaço cheio de energia boa. É um show único, que nunca mais vai acontecer desse jeito. Os encontros musicais, as participações, tudo só acontece uma vez”. Mas alerta: “É importante garantir o ingresso antecipado, porque o espaço tem lotação. Depois que bater a lotação, a gente não abre mais”.

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