Matéria publicada em 22 de janeiro de 2025.
Diversos eventos e projetos foram desenvolvidos ao longo do segundo semestre de 2024, mostrando o trabalho de educação transformadora da Escola Comunitária Cirandas. Em novembro, a escola foi convidada a participar da 1ª Jornada Idealize com representantes de mais de 20 municípios do Rio de Janeiro (RJ) e Minas Gerais, promovida pela Fundação Educacional Dom André Arcoverde (FAA), em Valença/RJ. O objetivo central da jornada foi proporcionar um espaço de troca de experiências positivas entre secretarias de educação, gestores, coordenadores pedagógicos, professores e estudantes de licenciatura, e compartilhar suas práticas pedagógicas transformadoras. Carolina Fonseca fala também do projeto desenvolvido pela turma Aventurina, que cobrou a balneabilidade das praias pelo INEA; do desenvolvimento de um calendário diferenciado e saudável da escola a partir de um curso de Mindfullness; e da celebração pelos 10 anos de fundação da Escola Cirandas.

1ª Jornada IDEAlize
A Escola Comunitária Cirandas, representada por ela, Carolina Fonseca, pela diretora Jussara Andrade e a tutora do Ensino Fundamental 1, Ana Rita Pacheco, montou uma apresentação sobre suas práticas pedagógicas, quais são seus valores e propósitos, como é feita a alfabetização e a pedagogia de projetos. A escola dividiu a mesa com representantes da Fundação Roberto Marinho, que falou sobre a metodologia de incluir para transformar, e a secretaria de educação do município do Rio de Janeiro, que falou sobre um plano de ação para avaliação e correção da distorção idade/ano.


Carolina conta que esse interesse do público presente sobre o cotidiano da escola e a valorização do trabalho as deixou bastante felizes, “de estar naquele evento e perceber que, muito do que as pessoas buscam na educação, nós já fazemos. E nós precisamos, muitas vezes, sair para olhar de fora o que já temos e o que precisamos avançar, rever ou estudar mais”. Carolina falou do quão inspirador foi perceber o interesse do público da educação em conhecer de perto as práticas pedagógicas da escola.

“Qual a importância do mar para Paraty?”
Todo início de semestre, as turmas da Cirandas escolhem um tema para ser estudado e uma delas escolheu estudar sobre o mar de Paraty. A pergunta-tema pretendeu descobrir qual a importância do mar sob a ótica de todas as áreas do conhecimento, não só do ponto de vista da natureza e saúde pública, mas também da cultura e da espiritualidade. A partir dessa pesquisa, foi escrita uma carta para o INEA (Instituto Estadual do Ambiente) de Paraty, pedindo a balneabilidade das praias da cidade.


Carolina Fonseca conta que há anos a população de Paraty não tem informações sobre a balneabilidade das praias do centro da cidade, Jabaquara e Pontal. “Nosso piquenique de início de ano é sempre na praia da Jabaquara e sempre fica um impasse. Tem famílias que não deixam tomar banho de mar, porque acham que não está apta para banho. E, de fato, não sabemos se ela está ou não”, conta Carolina. Com o amor das crianças pelo mar de Paraty e, por meio da orientação da professora de Ciências Biológicas, Maria Carolina Pádua, além da participação de Lauralice Pacheco e Suélen Brito, foram feitos alguns estudos e coletas de amostras para investigar e entender um pouco sobre os processos de poluição das praias e do mar. Depois disso, as crianças bordaram uma carta e entregaram a dois representantes do INEA, que foram à escola. “Foi algo muito marcante, porque costumamos pensar que as crianças são o futuro, mas sempre penso que as crianças são o presente e podem exercer sua cidadania hoje. Elas se sentirem empoderadas de lutar pelo seu direito ao lazer foi muito lindo. Para mim foi emocionante e de uma satisfação muito grande”, afirma Carolina.

Calendário diferenciado da Cirandas
A equipe da Escola Cirandas recebeu um presente diferente da família de Juliana Zellauy, um curso de Mindfullness. Preocupada com a saúde da equipe e do cansaço inerente à docência, ela, que é pesquisadora de saúde e inteligência emocional, levou para a escola uma pesquisa indicando ser a partir do mês de outubro que os professores, geralmente, adoecem ou pedem licença devido à exaustão. Com isso, as responsáveis pela elaboração do calendário escolar começaram a pensar em um calendário diferenciado com alguns momentos de “respiro” em abril e outubro.
Carolina Fonseca conta que a ideia é que a cada dois meses de trabalho, haja uma semana de recesso, contando com os recessos de julho e janeiro. Essa proposta, da diretora Jussara Andrade, foi experimentada e muito bem recebida em 2024, trazendo benefícios não só para as professoras, mas para as crianças e as famílias também. “Diferente de outras escolas, aqui, as crianças ficam de 8 às 15 horas e percebemos o cansaço delas também. Então o feedback que as famílias trouxeram desse calendário foi muito positivo. Isso é um cuidado com todos. Ainda assim, garantimos os 200 dias letivos por ano”, comenta Carolina.
10 anos da Escola Comunitária Cirandas
Há poucos dias do encerramento do semestre letivo, a comunidade da Escola Cirandas dedicou uma semana inteira à celebração pelos 10 anos de sua fundação. Foram momentos emocionantes como a composição de uma mesa com as fundadoras e fundadores da Escola.

Mariana Benchimol e Fabíola Guadix, as primeiras gestoras do projeto, junto ao Luiz Guilherme Lutterbach que, além de família na época, foi também um dos apoiadores ao Instituto Oju Moran, falaram como surgiu o sonho de fazer nascer a escola. Todos trouxeram memórias muito fortes, citando pessoas muito importantes que participaram dessa iniciativa. A mesa também foi composta pela Pâmela, Mônica Calderón, Valéria e Mônica Idzi, mães que estiveram desde os primeiros anos da Escola e, que compartilharam com nostalgia o tempo em que as ações comunitárias na Escola marcaram profundamente suas famílias e a vida de seus filhos e filhas.


Ao longo da semana, foram recebidas várias convidadas(os) que fizeram parte da história da escola. No final da semana o encerramento trouxe apresentações culturais e uma linda confraternização. Para os educadores e educadoras que chegaram anos depois, foi de uma emoção ímpar estar na presença e ouvir os relatos de quem deu vida à escola. Para a Celebração dos 10 anos da Cirandas, foi criado um Grupo de Trabalho que cuidou de toda a programação, formado por: Claudia, Karen, Suelen, Angela, Pollyana, Rodrigo e Marcello.
Os agradecimentos se estenderam a todos os apoiadores para que a Escola Comunitária continue desenvolvendo o seu trabalho de transformação social: Associação Saúva, Jataí, famílias, educadores e doadores.
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