Na manhã de 17 de setembro, o Teatro Bangu Shopping, na Zona Oeste do Rio, reuniu 251
mulheres em festa. No palco, a cantora Ana Neri e sua banda. Na plateia, empreendedoras
que encerravam nove meses de formação com um modelo de negócio desenhado e um
pitch apresentado. A palhaçaria da Casa de Artes Irmãs Martins, Ponto de Cultura
certificado pelo Ministério da Cultura, completou a celebração.
A formatura marcou o fim de mais um ciclo do Negócio de Mulher – Cultura que Gira a
Economia, projeto do Instituto da Providência voltado a mulheres em situação de
vulnerabilidade social.

A formação aposta na economia criativa: gastronomia, moda e
beleza, saberes que já circulam nos territórios e movimentam a cultura local. O percurso
segue a Tecnologia Social do Instituto, metodologia aplicada há mais de duas décadas e
certificada pela Fundação Banco do Brasil em 2018.
Em 2026, com recursos da Lei de Incentivo ISS da Secretaria Municipal de Cultura, o
projeto organizou oito turmas de desenvolvimento socioemocional (240 horas), 13 turmas
de conteúdo técnico em beleza, moda e gastronomia (950 horas) e 11 turmas de formação
empreendedora (330 horas). As mentorias de negócios, em parceria com o Sebrae,
somaram 540 horas. Ao final, a maioria das participantes recebeu recurso-semente para
investir na abertura ou na estruturação do próprio empreendimento.
Autonomia que nasce do ofício
Uma receita de família, uma tesoura afiada, mãos que sabem cuidar de cabelos e peles.
Nas periferias, esses saberes sustentam casas inteiras, muitas vezes de maneira invisível e
informal. A formação dá nome, método e preço a esse trabalho. O que era bico ganha plano
de negócio. O que era talento ganha clientela.
A ordem do percurso tem razão de ser. Antes da técnica, vem o desenvolvimento
socioemocional: autoestima, confiança, a coragem de se apresentar como empreendedora.
Depois, o ofício. Por fim, a gestão, com cálculo de custos, formação de preço e
planejamento. Cada etapa sustenta a seguinte.

A renda própria muda a vida dentro e fora de casa. Com dinheiro que é seu, a mulher
decide sobre o orçamento da família, sobre o futuro dos filhos, sobre o próprio tempo.
Ganha margem para dizer não. Ganha condições de deixar relações de dependência e, em
muitos casos, de violência. A independência financeira é uma das bases mais concretas da
autonomia feminina.
E o efeito se espalha. Um negócio que prospera na comunidade gera trabalho, faz o
dinheiro circular no bairro e inspira outras mulheres a seguir o mesmo caminho.
O apoio da Saúva ao Negócio de Mulher
A associação Saúva apoia o Negócio de Mulher. A parceria conversa com a trajetória da rede que acompanha iniciativas sociais,
ambientais, educacionais, culturais e de economia solidária em diferentes estados do país. Geração de renda com raiz no território
é um dos fios que atravessam esse trabalho. Entre as 251 formandas, 14 vêm de iniciativas que integram a Rede Saúva Jataí.
Essas mulheres levam o que aprenderam de volta para seus coletivos e organizações.
As iniciativas, por sua vez, ganham novas empreendedoras e novos caminhos de sustentabilidade.
O investimento em um projeto se multiplica em vários.
“Trabalhar com num processo de formação de mulheres periféricas
que tem necessidade de um apoio, que podemos ressignificar,
para que se entendam como membro ativo e produtivo de uma sociedade,
para a Saúva e também para a Jataí, é de um valor incrível.
Desejamos continuar juntos, no desenvolvimento individual dessas empreendedoras, amanhã.”
Leandro Almeida, diretor-presidente da Saúva e da Jataí.

Depois da Formatura
A jornada continua na Rede Negócio de Mulher, comunidade que promove encontros,
visitas a negócios e workshops. Nesta edição, a programação incluiu visita ao departamento
de figurino da TV Globo, oficina de costura com figurinistas da emissora e experiências em
fotografia de produtos e inteligência artificial aplicada aos negócios. O ciclo culmina no
Concurso Cultural Arrasa Garota, com final em 19 de novembro, Dia do Empreendedorismo
Feminino.
Os números acumulados desde 2022 dão a dimensão do projeto: 2.013 mulheres
atendidas, 896 novos negócios e 527 recursos-semente concedidos para capital de giro.
Nove em cada dez participantes passaram a gerar renda com os próprios
empreendimentos, e 78% superaram a linha de pobreza de R$ 280 per capita.
Fundado em 1959 por Dom Hélder Câmara, o Instituto da Providência atua há mais de seis
décadas no fortalecimento de pessoas, organizações e territórios. Em Bangu, 251 histórias
novas começaram a ser escritas.
“Acreditamos que a transformação social se constrói por meio de parcerias baseadas em
confiança e propósito comum. O apoio do Saúva Jataí ao projeto Negócio de Mulher une
investimento financeiro e presença em rede. Fazer parte desse ecossistema significa estar
em uma rede que conecta organizações, compartilha aprendizados e amplia oportunidades.
A presença de 14 mulheres de iniciativas que integram a Rede Saúva Jataí entre as 251
empreendedoras formadas reflete a força dessa interconexão. É um exemplo concreto de
que, quando atuamos em rede, conseguimos alcançar mais pessoas e gerar ainda mais
impacto.”
A diretora executiva do Instituto da Providência, Maria Garibaldi, destaca o papel da lei de
incentivo na continuidade do projeto: com recurso estável, a formação deixa de ser pontual
e alcança mais mulheres, a partir de atividades enraizadas na cultura de suas comunidades.
