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Pedras, 25 anos de teatro coletivo

O Grupo Pedras de Teatro está em celebração de seus 25 anos. A temporada do espetáculo adulto “Céu de Agora” estreou no último sábado, dia 8 de agosto, no Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto, no Humaitá, dando início a um mês inteiro dedicado a revisitar a trajetória do coletivo, com espetáculos, exposições, oficina, roda de conversa e música. A ocupação segue até 31 de agosto.

A programação reúne quatro espetáculos: os adultos “Céu de Agora” e “Restin” e os infantis “Rosa e a Semente” e “Rosa e a Floresta”. Também sobem à cena duas exposições — “Pedras 25 anos”, com objetos, cartazes e figurinos que contam a história do grupo, e “Esplêndidas”, da artista Luciana Grether —, além de oficinas com metodologias do grupo, uma roda de conversa sobre coletivos teatrais cariocas de longa trajetória e o show “Bailecito”, do grupo Gesta. Ao todo, o coletivo é formado por Adriana Schneider, Ana Paula Secco, Helena Stewart, Georgiana Góes, Camila de Aquino, Diogo Magalhães, Luiz André Alvim e Marina Bezze — atrizes e atores que se desdobram, além da atuação, em direção, dramaturgia, produção e formação.

Fazer 25 anos em parceria é uma alegria, é uma relação de muito amor pelos parceiros e pelo teatro. Queremos compartilhar os momentos mais incríveis desta caminhada com o público”, resume a atriz Georgiana Góes, integrante do grupo desde a fundação, em 2001.

O Pedras nasceu do desejo de investigar técnicas de atuação ligadas à máscara, à bufonaria, à palhaçaria. A maioria do grupo vinha da Companhia Atores de Laura, num momento em que os interesses de pesquisa começaram a divergir. Diante disso, um grupo de atores decidiu se formar convidando diretores, ou se deslocando eles mesmos do papel de atores para o de diretores.

“Somos frutos do primeiro governo Lula, em que houve uma enxurrada de editais públicos e privados. Somos fruto dessa política cultural”, conta Georgiana. Passadas duas décadas e meia, a concorrência por edital segue apertada, embora menos intensa do que em outros tempos. “Continua esse sentimento de corrida maluca, de concorrer com muita gente.” O que mudou foi o corpo que sustenta essa corrida. “Éramos mais jovens ainda, então a paixão movia a gente mais, e tínhamos mais saúde para carregar uma quantidade enorme de tijolos — de uma peça que a gente montou, chamada O Muro. A gente continua bem apaixonado. Metendo muito a mão na massa.”

Do casarão dividido em nichos de “Restin” ao muro erguido em cena em “O Muro”, do jantar-espetáculo de “Mangiare” às ruínas caminhadas de “Céu de Agora”, o Pedras testou formas diferentes de aproximar quem atua de quem assiste.

“A gente escolheu esse caminho porque essa é uma das características da gente mesma, de como a gente estabelece a relação ator-espectador, a relação com o espaço. A gente tem uma máxima: gosta de fazer teatro com o público, não para o público”, explica Georgiana. “Foi um processo de escolher e experimentar várias formas diferentes de estabelecer essa relação: pela distância de um braço, num jantar, dividindo o público em dois, fazendo o público caminhar, abrindo uma roda na rua.”

“Restin” volta ao repertório da ocupação como um retorno às origens. É o espetáculo que reúne poemas de Manoel de Barros e outros autores populares, com quatro andarilhos que se encontram num espaço abandonado e criam diálogo por meio de objetos e do próprio espaço — a mesma pesquisa poética que moveu o grupo em 2001, agora revisitada.

“Céu de Agora” mantém a mesma relação ator-espectador de sempre, com o público caminhando, olhando para o céu de outra forma. Nasceu de uma pesquisa trazida por Marina Bezze, atriz, diretora, astróloga e psicóloga, sobre como as forças pulsionais de cada planeta chegam e se comportam no corpo. Em cena, os atores vivem dez astros celestes, com características distintas que habitam, em maior ou menor intensidade, todo mundo.

“É fruto do desenvolvimento de uma pesquisa puxada por uma das atrizes que se desloca para o lugar de diretora, o que também é uma característica do grupo”, diz Georgiana.

A exposição “Pedras 25 anos” reúne cartazes, objetos, figurinos, fotos de turnês e curiosidades na Sala Preta do Espaço Sérgio Porto — inclusive de peças que não fazem parte da programação atual. Ao lado dela, “Esplêndidas” traz obras de Luciana Grether, ilustradora que também assina os livros de “Rosa e a Semente” e “Rosa e a Floresta”: pinturas, desenhos e esculturas em bambu que celebram figuras femininas, um recorte que ecoa a formação do próprio Pedras, um grupo majoritariamente de mulheres.

A ocupação também inclui duas oficinas que compartilham a metodologia de criação do grupo — uma delas dedicada especificamente ao processo de “Céu de Agora” — e uma roda de conversa reunindo representantes de outros coletivos teatrais cariocas com mais de 25 anos de trajetória, para trocar experiências sobre modos de produção, gestão e resistência. Fecha a programação musical o show “Bailecito”, do grupo Gesta, que revisita compositores latino-americanos.

Criar em coletivo, com direção dividida entre integrantes, segue sendo a espinha dorsal do trabalho. “É muito interessante, porque o trabalho se mantém muito coletivo. A gente já tem muita experiência nesse tipo de criação. Às vezes é mais cansativo, porque são muitas negociações. Mas também é onde a gente tem a liberdade de experimentar versões diferentes até chegar numa, a liberdade de errar, de fazer de novo. É muito rico.”, diz Georgiana.

Desde 2021, a Saúva apoia o Grupo Pedras — os espetáculos infantis, o livro “Rosa e a Semente”, a realização de “Céu de Agora”. Para Georgiana, essa parceria tem nome de bênção. “É uma parceria em que a gente tem um comprometimento com a continuidade, com o crescimento, com o desenvolvimento das nossas potencialidades. Os espetáculos de rua que já foram fomentados pela Saúva trazem em si a própria democratização do acesso. A pesquisa do Céu de Agora só pôde ser aprofundada porque a gente tinha essa possibilidade de continuidade.”

A continuidade se traduz em rotina: imersões no Jardim das Delícias, relação com a terra e seus ciclos, a Muda sempre por perto, trocando ideia e saberes. “Isso só é possível porque tem esse olhar de cuidado e de continuidade. Isso mudou muito — a gente conseguiu ter muito mais assiduidade nas reuniões, nas reflexões sobre o grupo. A gente veio investindo na gente, fazendo consultorias, investindo na nossa estrutura, e isso trouxe um comprometimento maior com esse trabalho, que deixou de ser só a terceira possibilidade de cada um. Trouxe firmeza de trabalho e da nossa missão do teatro como ferramenta de transformação social, ferramenta pedagógica. Uma arte comprometida com o humano e com todas as possibilidades de desenvolvimento, de reflexão, de encantamento, de poesia.”

“Sonhos não faltam para muito mais do que 25 anos.”


Ocupação Grupo Pedras 25 anos de Teatro De 7 a 31 de agosto. Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto — Rua Visconde de Silva, s/nº, ao lado do nº 292, Humaitá.

  • “Céu de Agora”: de 7 a 24/08. Sexta e sábado, 20h; domingo, 19h. Inteira R$ 70 | Meia R$ 35.
  • “Restin”: de 28 a 30/08. Sexta e sábado, 20h; domingo, 19h. Inteira R$ 70 | Meia R$ 35.
  • “Rosa e a Semente”: de 8 a 16/08. Sábados e domingos, 16h30. Inteira R$ 60 | Meia R$ 30.
  • “Rosa e a Floresta”: de 22 a 30/08. Sábados e domingos, 16h30. Inteira R$ 60 | Meia R$ 30.
  • Exposições “Pedras 25 anos” e “Esplêndidas”: de 7 a 30-31/08, quarta a segunda, 15h às 21h. Gratuito.
  • Roda de conversa: 13/08, 19h. Gratuito.
  • Show “Bailecito”: 20/08, 19h30. Inteira R$ 30 | Meia R$ 15.

Ingressos: bileto.sympla.com.br/event/123822 e bileto.sympla.com.br/event/123848/d/399953

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