Matéria publicada dia 09 de junho de 2026.
Desde seu início, a rede Saúva Jataí tem como propósito aproximar as iniciativas e intensificar trocas: visitar as áreas de atuação dos projetos, entender os desafios, visualizar os êxitos. O encontro em Minas nasceu da visita já programada do Laboratório Terra Orgânica – Lucas Morales e Gustavo Lanza atravessaram o Sul até pousar no Instituto Ouro Verde, em Nova Lima, que serviu como base para as andanças pelo território mineiro. Inicialmente, a ida para Minas Gerais tinha como objetivo a realização de duas visitas de assessoria técnica, vinculadas ao projeto de fortalecimento da compostagem comunitária na rede Saúva.

“No cantarolar dos pássaros de final de tarde dos últimos preparativos para a viagem, fomos positivamente surpreendidos com o convite de unirmos nossa visita a um roteiro mais robusto, que integraria o Encontro Regional de MG da Saúva. A Sandra e as demais ‘membras’ locais da rede foram cirúrgicas e impecáveis no roteiro.” – relata Gustavo, do LTO.
O novo modo de promoção dos encontros presenciais, mais descentralizado e regional, aliado à visita técnica já agendada do Laboratório Terra Orgânica às centrais sementes do Instituto Ouro Verde e da Confraria da Horta, foi o que impulsionou o Encontro Regional MG. Sandra Gonçalves, uma das organizadoras do evento, conta que, quando soube que os “meninos” do LTO já estavam de passagens compradas para percorrer as iniciativas mineiras, percebeu que estava com a faca e o queijo na mão: “Conversei com o Gustavo e com os representantes das iniciativas locais sobre o encontro acontecer em menos de duas semanas. Todos ficaram um pouco preocupados com a proximidade, mas viram também como uma oportunidade e toparam construir junto! Todos concordaram que o tema central seria a gestão de resíduos e mais especificamente a compostagem, para aproveitar a experiência da equipe Terra Orgânica, e que seria um encontro com muitas práticas”.

Assim, criou-se um pequeno grupo coordenador para cuidar dos detalhes do Encontro no INOV: Raquel Aranha, diretora de Ecologia do INOV; Isabelle Damasceno, professora de Agroecologia e Gislene Santos, empreendedora responsável pela Ujima Cozinha Viva. Elas contaram com o apoio imediato da gestão da escola. Com a colaboração de todas as iniciativas envolvidas e da equipe Saúva, toda programação da semana ficou pronta para ser divulgada em tempo recorde.
Da terra, as mãos
Na estrada de terra na área rural de Jabó, nome carinhoso para Jaboticatubas, quatro formigas seguiam instruções que envolviam uma caixa d’água de ferro e placas inexistentes para evitar caminhos impenetráveis, até chegar ao Sítio Urutau, primeiro destino do Encontro Regional em Minas Gerais.

No sítio, o grupo foi recebido por Luiz Felipe Cunha, Daya Gloor e seus dois filhos, Leila e Manoel. Na cozinha, Branca já fatiava a couve finíssima para o almoço enquanto a turma apreciava um farto café da manhã mineiro com mandioca, banana da terra, queijo, manteiga, pães, tudo produzido na região pelos agricultores e agricultoras familiares agroecológicos que integram a Feira Raízes do Campo Jabó.

Luiz iniciou o encontro trazendo algumas dinâmicas de ritmo que usa com as crianças que visitam o sítio no projeto Do Plantio Ao Prato e em seguida partiram para uma volta no território. O casal Daya e Luiz adquiriram o terreno há 17 anos; degradado, compactado, com erosões e muito empobrecido pela ausência de matéria orgânica e uso excessivo de agrotóxicos. Desde então vêm transformando a terra em solo fértil e permeável com as técnicas agroecológicas e, de sete anos pra cá, estão no processo de transição para o sistema agroflorestal sintrópico, apostando na diversidade e abundância. A água, antes muito escassa, hoje não falta mais, seja para as atividades agrícolas ou domésticas.

Com o território reconhecido, chegou a hora de colocar a mão na massa. A turma arregaçou as mangas para fazer o manejo de uma área, deixando o mato como proteção para o solo e adubação verde. O almoço foi com feijão andu, linguiça e salada de mamão verde: tudo plantado por ali. Em seguida, em um momento de troca, Luiz compartilhou sobre o Do Plantio ao Prato, novo projeto que entrou na rede em 2026, que leva crianças da rede pública de Jabó para experienciar o contato com a natureza e a música, em mutirões e aulas práticas realizadas no sítio. O objetivo do projeto é enriquecer e fortalecer a formação das crianças por meio da música e da agroecologia. As crianças praticam a agricultura e a música de forma viva e são convidadas a refletir sobre os alimentos que comem, de onde vêm, quem os produz, o que são produtos alimentícios ultraprocessados, e sobre a importância de valorizarmos a agricultura familiar agroecológica e as feiras livres municipais.

“A feira acontece na praça quinzenalmente, então as crianças encontram com os(as) agricultores(as) que entregam parte dos alimentos que compõem a merenda escolar. A relação que o projeto cria entre as crianças e as famílias agricultoras é de fortalecimento da agroecologia e da economia popular solidária, pensando a paisagem, a qualidade do solo, a musicalização, a tradição, a inovação tecnológica, os conhecimentos tradicionais. Muito se perdeu com o êxodo rural. E as pessoas da cidade precisam retomar a conexão com o próprio território, que é rural”, relata Luiz. “A entrada do fomento da Saúva na região abriu muitos horizontes, e é no cotidiano da agricultura familiar que vamos fazendo e aprendendo arte e agricultura. Hoje eu faço o que eu sonhava quando tinha 14 anos, porque eu não tinha isso. Tá sendo bem legal a experiência de tirar os alunos de sala de aula e colocar no mundo que se toca e se sente”.

Gustavo, do Laboratório Terra Orgânica, escutou as falas sobre a lida com o resíduo orgânico e complementa citando o Plano Nacional de Economia Circular, um instrumento do governo federal que acompanha a tendência global de repensar o crescimento econômico com foco na sustentabilidade. A separação de lixo seco e molhado e as ações de compostagem servem como iniciativas muito potentes para esse objetivo nacional. Após ouvir a conversa, Branca sai da cozinha e comenta: “nunca mais jogo uma casca fora”.

O dia foi finalizado com a orientação dos meninos do LTO a partir da observação dos pontos de compostagem no sítio; desde as leiras mais recentes, feitas com os orgânicos do almoço, até o banheiro seco utilizado pelos moradores da casa, oferecendo dicas de melhorias nos processos. Propuseram também uma ponte com a rede pública de educação para a ampliação das ações de compostagem a partir dos resíduos das cantinas escolares, fortalecendo o trabalho de educação ambiental local.


Do espelho, o barro
A intimidade da roça – a cozinha, a agrofloresta, o banheiro seco, a conversa de fim de tarde – deu o tom para o que viria. No dia seguinte, esse mesmo espírito de troca se multiplicou: o INOV abriu as portas para o momento do encontro regional com o maior número de participantes da rede. Na quarta-feira, 27 de maio, diversas iniciativas mineiras, além do CEM, do Rio de Janeiro, e do Laboratório Terra Orgânica, de Florianópolis, se encontraram na escola para uma programação recheada de conversas e atividades práticas.

A manhã começou com as boas vindas da Laura Guimarães, mãe de dois alunos e diretora presidente da associação mantenedora do Instituto Ouro Verde. Em seguida houve uma roda de conversa sobre saúde mental guiada por Juliana Saúde, do projeto Sapos e Afogados, que abordou o movimento antimanicomial e a reforma psiquiátrica que este ano completa 25 anos no Brasil. Jú Saúde conduziu ainda a dinâmica de um oráculo que aposta na poesia como um cuidado em saúde mental – as cartas foram criadas por atores do coletivo e ilustradas por Olivia Loyd, ex aluna do INOV. Ao final, um presente especial para cada participante: uma pequena caixinha com um espelho no fundo que refletia uma joia rara a ser cuidada – cada um de nós mesmos.

As atividades seguiram com um mutirão de compostagem, guiado pelos professores Daniel e Isabelle, responsáveis pelas aulas de agroecologia no INOV, juntamente com a orientação de Lucas e Gustavo do LTO. Entornar os resíduos, revirar, cobrir com material seco, trocar de leiras, peneirar o composto, lavar os baldes, tudo orquestrado para que todos trabalhassem e aprendessem na prática. Os especialistas estavam sempre de olho, tirando dúvidas e recebendo sugestões a partir das experiências de cada participante. Além de todo resíduo orgânico da cozinha da Ujima, os pais do INOV também levam seus baldinhos de casa para serem compostados na escola, consequentemente servindo como adubo para a plantação, que virá a ser comida para os alunos, criando uma cadeia circular com horizonte de lixo zero.


“A chance de trocar conhecimentos, receber pessoas, ensinar e aprender foi como renovar minhas forças para continuar os trabalhos. Fiquei com vontade de seguir nos diálogos com os parceiros e oportunizar mais encontros, com a finalidade de apoiar as iniciativas.”, relata Isabelle.

Os lanches e almoço foram oferecidos pela Ujima, com tudo feito a partir de produtos das iniciativas parceiras: Teia da Terra, Confraria da Horta e Amanu, com representantes presentes no encontro.

Ainda durante a manhã, as professoras e alunos do 8º ano se aproximaram da sala das águas, onde o grupo saboreava o lanche, e ofereceram a música Cio da Terra, de Milton Nascimento e Chico Buarque. Os alunos apresentaram um arranjo para flautas, vozes e percussão, conduzido pela professora Marcela Nunes. A professora Patrícia Machado expressou a alegria de receber o Encontro Regional na escola. Emocionado, o grupo agradeceu o presente.

À tarde, depois de um tour feito na escola, com a presença de professores e familiares participantes da gestão escolar, o grupo se reuniu para, sob a orientação do Luiz da Amanu, profissional em bioconstrução, reformar uma parede e consertar o fogão a lenha. O grupo não se conteve em colocar a mão na massa, ou melhor, no barro.


Da lã, o fio
Na quinta-feira, o barro se tornou fio. As cozinheiras da Ujima tiraram um precioso tempo da correria usual da cantina para uma oficina de bordado ministrada pela professora de trabalhos manuais e participante do PAFE, Karla Rosa. As linhas e agulhas com as mãos trabalhando em rede deram vida a uma grande toalha de mesa que será usada nas festas da escola. E a ideia é que o bordado da toalha tenha a contribuição de todos: pais, mães, professores, funcionários e parceiros. A equipe da Ujima, junto à Rose, educadora e responsável pela compostagem no CEM, no Rio de Janeiro, e Gustavo do LTO, bordaram flores, enquanto fluía a prosa sobre as artes de tecer, de cozinhar e de compostar. O tempo foi aproveitado também para trocas sobre possíveis melhorias no processo de separação de resíduos na cozinha Ujima.

O grande final no INOV veio das alunas do 3º ano que acompanhadas da prof. Camila surpreenderam o grupo com um singelo presente: um pequeno embrulho de palha com sementes crioulas de milho colorido. Gustavo se emocionou ao presenciar o cuidado e a atenção com tudo na escola, do bom dia dado carinhosamente por todos até o prato que cada um lava após a refeição.“Minha esposa trabalha em uma escola pública lá em Floripa, é triste porque é tudo cheio de grade, sem cor, sem afeto nenhum. Aqui, você olha ao redor e tem verde, tem árvores, tem música, artesanato, contato, carinho. É muito bonito e inspirador”, comenta, com os olhos marejados.


Na parte da tarde, o grupo subiu o Aglomerado da Serra para conhecer a sede do Centro Cultural Lá da Favelinha, onde fica a cooperativa de moda sustentável Remexe, projeto fomentado pela Saúva. Além de conhecer o espaço físico e adquirir peças únicas, os participantes realizaram uma oficina de upcycling, ministrada por Carla, especialista na arte de fazer roupa a partir de roupa. Camisas recebidas em doação, apenas com cortes e nós, se tornaram ecobags.

A lógica não era tão diferente do que o grupo vinha praticando a semana toda: pegar o que seria descartado e devolver ao ciclo, ainda que com outra forma e outra função. Na compostagem, os resíduos viram adubo. No Remexe, a camisa inutilizada vira ecobag. O princípio é o mesmo: nada se joga fora, tudo se transforma.

Chegou o momento do grupo se despedir da Rose Trovão que agregou suas experiências em ações de compostagem no CEM (Rio de Janeiro), e que também recebe assessoria do LTO. “Foi uma alegria muito grande quando, em conversa com a Ana Santos, ela confirmou que a Rose estaria presente no encontro! As nossas longas conversas nos percursos de início e fim de dia foram muito enriquecedoras para mim e me fizeram admirar ainda mais o trabalho realizado por ela e pelas outras mulheres incríveis do CEM. Foi uma honra recebê-la”, comentou Sandra


“O encontro foi muito importante para mim pois tive o privilégio de conhecer o Remexe, de estar com pessoas que lutam pelo mesmo objetivo e de conhecer uma escola que poderia ter muitas como essa espalhadas em todo o Brasil”, relata Rose.
Do solo, a serra
Sexta-feira, dia 29 de Maio, o bonde pegou a BR040 rumo ao Vale do Sol (região de Nova Lima), onde se encontra o Instituto CRESCE – Centro de Referência do Espinhaço. O CRESCE, parceiro do INOV na gestão de resíduos, é a única organização social do Brasil que atua pela conservação da Cordilheira do Espinhaço, reconhecida como Reserva da Biosfera pela Unesco pela enorme diversidade de flora, fauna, geologias, hidrografias e culturas. As ações visam despertar a identidade afetiva com o território do Espinhaço, atuando com projetos educativos, culturais e socioambientais.

A manhã foi de muita ação, começando com uma visita à sede do Cresce, onde o grupo analisou o processo de compostagem e sugeriu melhorias na gestão de resíduos, como a coleta de baldes do bairro e a medição quantitativa do que está sendo compostado. “A gente sabe que o qualitativo é o que importa, mas é muito valioso termos os dados quantitativos para demonstrar a amplitude do trabalho, de fazer parte de uma rede que tem toneladas de resíduo sendo compostado, e não apenas alguns quilos”, explica Gustavo, indicando o caminho de realizar a contagem a partir da plataforma do Laboratório Terra Orgânica onde os valores são somados com todas as outras iniciativas parceiras. “Nosso sonho é que todo bairro tenha sua composteira. É na reprodução de ações pequenas que atingimos objetivos com impacto grandioso”, complementa Lucas.

Em seguida, o grupo foi até a Serra da Calçada onde fez uma caminhada guiada por Camila Alterthum, gestora do Cresce e professora de agroecologia no Instituto Ouro Verde. No caminho, observaram a vista e aprenderam sobre as preciosidades da região, a flora, as águas e ainda coletaram o lixo encontrado na trilha. A paisagem do cerrado impressionou os visitantes de outros estados, assim como a distância percorrida: “Caímos no conto mineiro de que era ‘logo ali’ e quando vimos foram quase 10 km”, brinca Gustavo.

“Feliz demais que o Terra Orgânica pode somar com a gestão de resíduos. Lindo ver a soma de forças de iniciativas da rede nessa atuação no ciclo completo agricultura – alimentação – compostagem”, conta Lucas.


Quem veio sem saber muito sobre a Cordilheira do Espinhaço saiu sabendo que é imensa, que está ameaçada pela mineração e que há gente dedicando a vida a mantê-la de pé. O encontro regional serve também para isso: apresentar os desafios de um território e fazer com que ele passe a importar.

De um, um mundo
No sábado bem cedinho, último dia da maratona de encontros, as formigas Saúvas se deslocaram até o sítio de Daniel e Carol em Florestal, onde se encontra a CSAA Confraria da Horta. O grupo foi recebido numa roda de conversa juntamente com vários outros coletivos da região como a Astriflores, associação de catadoras e triagem dos resíduos recicláveis que gera renda causando impacto social e ambiental; a Aflora, associação de agricultores familiares focada na produção agroecológica e na recuperação ambiental; o Balaio de Saberes que celebra e promove a cultura tradicional popular e o Florindo Futuro, projeto de extensão da Universidade Federal de Viçosa (UFV – Campus Florestal) que apoia as catadoras e vem estudando a compostagem como uma solução de descontaminação do resíduo sólido para ampliação da reciclagem. Foram quase 30 pessoas, que aos poucos foram chegando e trazendo as suas contribuições para compartilhar um delicioso café da manhã. Daniel e Carol falaram sobre a importância de trabalharem em apoio mútuo, onde cada um potencializa e fortalece o trabalho do outro.

Em seguida, a atividade “Compostando Vidas”, uma oficina teórica e prática conduzida por Gustavo e Lucas, do Laboratório Terra Orgânica, onde foi inaugurada a primeira leira do sítio – todos puderam trocar experiências e esclarecer suas dúvidas. Enquanto isso, o almoço com ingredientes agroecológicos, era preparado por uma chef local. Na parte da tarde foi o momento de conhecer as frentes de trabalho do momento do projeto Confraria da Horta: a agrofloresta, o galinheiro e a trilha que começaram a percorrer num trabalho de educação ambiental com alunos de escolas locais.

“Ver a CSAA Confraria da Horta envolvida com causas tão nobres me enche de felicidade. Falar sobre resíduos orgânicos e recicláveis é urgente, e juntos a gente aprende, troca e faz acontecer. Com o apoio da Saúva e dos meninos do Laboratório Terra Orgânica, reunimos forças com várias iniciativas locais e estamos mais confiantes para seguir adiante nessa missão: fazer de Florestal uma cidade ainda mais consciente. Só gratidão por cada ideia e cada experiência compartilhada!”, disse Carol.

“Re-conhecer a beleza e as potências de cada projeto, ver de perto os impactos causados no local, sentir a força do mutirão e das redes dentro da Rede e também poder explorar juntos os desafios vividos por cada um e, a partir dos saberes e experiências do grupo, sair com encaminhamentos práticos, foi algo muito rico e gratificante”, comenta Sandra, satisfeita.

“A nossa visita foi muitíssimo potencializada por essa sincronização de objetivos. Além de abordarmos a questão da gestão de resíduos, da compostagem e da economia circular junto aos territórios e iniciativas, pudemos vislumbrar um caleidoscópio de possibilidades de sinergias, percebendo uma grande variedade de combinações, conexões e oportunidades de colaboração. Sob um certo ângulo, cada vez mais temos visto a compostagem a partir da ótica do fortalecimento institucional. Ela une atores, fortalece redes e reorganiza ações a partir da cosmovisão da circularidade. E esse Encontro nos inspirou muito neste sentido.”, reflete Gustavo.

“É mágico ver o que acontece nos coletivos que incorporam essa tecnologia como ferramenta de ação e de aprendizado. O composto se torna adubo pra terra, o calorzinho da leira, um alento pra alma, e o que era um problema, o “lixo”, nessa proposta, se torna combustível para relações”, finaliza o composteiro.

“Poder estar presente e fazer parte de uma rede tão potente me direciona para um futuro diferente, um querer do coração e uma força para continuar lutando pelo que é belo, simples e grandioso”, admira Isabelle.


Cinco dias em Minas, de 26 a 30 de Maio de 2026, mostraram que a rede Saúva Jataí é um território vivo, espalhado por estradas de terra, quintais produtivos, cozinhas coletivas e encostas de serra – e que visitá-lo é diferente de conhecê-lo pelo portal, pela reunião online, pelo relatório anual. É cheirar o composto, sujar a mão no barro, caminhar mais do que o previsto e descobrir que o cerrado é maior do que parecia no mapa. Da casca de frutas ao adubo, da camisa descartada à ecobag, do resíduo à terra fértil, a semana inteira girou em torno da mesma lógica: nada se desperdiça quando há intenção e cuidado.

Texto: Luana de Abreu, Ana Abreu e Sandra Gonçalves
Fotos: Luana de Abreu