“Balanceia na ciranda eu quero balancear
Ohh balanceia, eu quero balancear
Vamos dar a meia volta meia volta vou dar…
Trocando o par…”
— Cirandeiros de Paraty
Matéria publicada dia 02 de Junho de 2026.
No ritmo dessa cantiga paratiense, a Escola Comunitária Cirandas iniciou o ano letivo de 2026 com uma série de movimentações importantes, marcadas pela chegada de novos estudantes, novos educadores e pela reorganização de processos internos. Em diálogo com a proposta pedagógica, a escola segue fortalecendo uma gestão baseada na coletividade, na participação ativa e na construção conjunta.
Apoiada pela Rede Saúva Jataí, a Cirandas vem consolidando, neste semestre, uma série de iniciativas que reafirmam a coletividade como método e como valor.

Fóruns como ampliação do diálogo e fortalecimento do coletivo
Os fóruns realizados no início do ano tiveram papel central na organização da escola. Esses encontros se configuram como espaços de escuta, troca e participação, nos quais educadores, equipe gestora e famílias se reúnem para refletir sobre caminhos e decisões importantes. Mais do que momentos informativos, os fóruns são dispositivos de construção coletiva, que permitem a circulação de diferentes vozes e perspectivas.
No primeiro fórum pedagógico e de gestão escolar foram debatidos aspectos fundamentais da vida escolar, como a rotina, os conteúdos pedagógicos, os valores institucionais e os processos avaliativos. A escola foi compreendida como um organismo vivo, que precisa de organização clara, mas também sensível às relações e aos processos que a constituem. A participação das famílias contribuiu para ampliar o olhar sobre esses temas, fortalecendo o sentimento de pertencimento e corresponsabilidade.

Grupos de trabalho organizam demandas e promovem ações
A partir das discussões realizadas nos fóruns, foram estruturados grupos de trabalho voltados a questões concretas da comunidade escolar. Esses grupos surgem como desdobramentos das escutas coletivas e têm como objetivo aprofundar temas relevantes, propor ações e acompanhar processos ao longo do ano.
Entre as pautas levantadas, destacam-se as reflexões sobre o uso de telas por crianças e adultos, incluindo discussões sobre as diferenças de acesso entre meninas e meninos. Também ganharam destaque as questões relacionadas à alimentação escolar e às iniciativas do grupo Cirandas Agroecológicas, que dialogam diretamente com práticas de cuidado, sustentabilidade e relação com o território. Esses movimentos reforçam o compromisso da escola com uma atuação integrada e participativa.

O primeiro mutirão do ano foi um dos momentos mais significativos desse início de ciclo. A ação reuniu mais de 13 famílias, que participaram ativamente da pintura dos espaços da escola, transformando o ambiente por meio do trabalho coletivo.
Mais do que uma atividade prática, o mutirão se configura como um espaço de encontro, colaboração e fortalecimento de vínculos. A presença das famílias nesse tipo de ação revela o compromisso com o cotidiano da escola e com a construção de um espaço comum. Durante o encontro, surgiu inclusive o desejo de que os mutirões passem a acontecer com maior frequência, indicando o fortalecimento do engajamento coletivo.
Participação das famílias como base da escola comunitária
Na Escola Comunitária Cirandas, a presença das famílias não é apenas complementar, mas parte estruturante do projeto pedagógico. A participação ativa nos fóruns, nos grupos de trabalho e nas ações coletivas contribui diretamente para a construção de uma educação mais significativa e conectada com a realidade dos estudantes.
Esse envolvimento fortalece a confiança entre escola e comunidade, amplia os espaços de diálogo e possibilita a construção de soluções compartilhadas. O movimento observado ao longo deste primeiro semestre evidencia on crescente engajamento das famílias, que passam a ocupar, cada vez mais, um lugar ativo nos processos da escola.
Valores orientam as práticas e as relações
As ações e decisões da escola estão fundamentadas em valores que orientam tanto o processo educativo quanto as relações estabelecidas no cotidiano. O amor se apresenta como base para o cuidado e para a convivência, enquanto o respeito garante a valorização das diferenças e das singularidades.
A confiança sustenta os processos e fortalece os vínculos entre educadores, estudantes e famílias. A diversidade é compreendida como potência, ampliando possibilidades de aprendizagem e convivência. Já a liberdade se manifesta na construção da autonomia, no direito à expressão e na valorização dos diferentes modos de ser e aprender.
Com diferentes frentes de atuação e forte participação comunitária, a Escola Comunitária Cirandas segue em movimento. Entre fóruns, grupos de trabalho e mutirões, a escola segue em construção permanente, a partir do diálogo, da escuta e da ação coletiva.
A proposta é seguir fortalecendo uma educação que se faz em conjunto, sustentada por vínculos, valores e pela participação ativa de toda a comunidade.

Texto de autoria de Maria Carolina Pádua, educadora da Escola Comunitária Cirandas.
Revisão: Ana Abreu e Luana de Abreu.
Fotos: Luana de Abreu.