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Instituto Educacional e Cultural Ouro Verde renova-se em 2025 com terreno, Moeda Social e fraternidade econômica

Matéria publicada em 16 de dezembro de 2025.

Em um cenário educacional transformador, o Instituto Ouro Verde – escola com Pedagogia Waldorf gerida por pais, mães, professores e funcionários de forma voluntária – traça um caminho próprio de resiliência e renovação. O ano de 2025 foi de muitas conquistas e colheitas profundas: da quase total renovação de sua diretoria à aquisição de um novo terreno que expande a mata para as crianças; da consolidação de uma merenda 65% orgânica ao “nascimento” de uma moeda social própria. Embalado pelos princípios da antroposofia e da autogestão, o Ouro Verde navega na fronteira entre manter seu propósito fundante e abrir-se para novas famílias e formas de sustentabilidade. Este é o balanço de um ano que, longe de ser apenas uma página no calendário, foi um capítulo crucial no processo de amadurecimento de uma comunidade que escolheu educar de outra forma – e agora se prepara, com esperança e realismo, para os próximos doze anos.

Em entrevista exclusiva ao Núcleo de Comunicação da Rede Saúva Jataí, Laura Guimarães, que atua nas diretorias da mantenedora, de comunicação e mãe de dois alunos do Instituto Ouro Verde, fez um balanço detalhado e reflexivo do ano de 2025 na escola. O retrato que emerge é o de uma instituição em pleno processo de transição e fortalecimento, colhendo frutos importantes de anos de trabalho comunitário, ao mesmo tempo em que aprimora as necessidades estruturais comuns a muitas escolas no país.

Colheitas maduras: alimento, terra e comunicação

Laura descreve o ano como de “frutos maduros, bonitos e apetitosos”. Um dos principais avanços foi na reativação da Comissão de educação alimentar e o fortalecimento das parcerias com o Instituto Amanu e CSAA Confraria da Horta. Isto elevou para cerca de 65% a proporção de ingredientes orgânicos ou agroecológicos na alimentação dos estudantes, sem ultraprocessados, toda preparada dentro da escola, por meio da empresa parceira Ujima – Cozinha Viva. E a meta para 2026 é atingir 80%. “Isso reverbera tanto nos alunos, na aceitação, quanto nas famílias. Temos casos de famílias que passavam por desafios de seletividade alimentar das crianças e percebem uma ampliação desse cardápio, reverberando em casa”, comemora Laura, citando casos de superação.

Na comunicação, projetos planejados saíram do papel: um novo site e um vídeo institucional, este último produzido em parceria com a Coordenadora de Comunicação da Rede Saúva Jataí, Ana Paula Abreu. A aquisição de um novo terreno, anexo à área de mata já utilizada para aulas de agroecologia, foi outra conquista celebrada. O espaço, que amplia a área de exploração das crianças, será futuramente destinado a um centro para atividades sociais, culturais e artísticas da escola.

“(O vídeo e o site) Estão saindo do forno e achamos que isso ganha força para a divulgação e para captar novas matrículas”, afirma Laura.

O grande passo da transição geracional e a autogestão

Talvez o marco mais significativo de 2025 tenha sido o processo de renovação de quase 100% da diretoria, que tomará posse em 2026. Laura enfatiza que este movimento é um sinal de “amadurecimento institucional”, demonstrando que a escola, antes gerida pelos fundadores, agora se desenvolve a partir das novas famílias, sem perder sua “semente fundante”.

Esse processo, porém, é sutil e intencional. “Para esse momento de transição, é essencial que a casa esteja arrumada para receber novas pessoas. Você precisa ter uma estrutura robusta de círculos bem definidos, de procedimentos, de políticas, papéis, macro-acordos, interdependência e autonomia para garantir eficácia e equivalência”, explica. A escola tem investido na gestão para estruturar uma memória para garantir a continuidade do projeto, que é totalmente sustentado por trabalho voluntário. “É a duras penas, é muito trabalho, muita dedicação, mas é um organismo vivo que está prosperando”, define.

Inovações econômicas com a moeda social Ouro Verde e a fraternidade

Uma grande aposta para o futuro é a moeda social “Ouro Verde”, que “germinou” no aniversário da escola e começa a circular, ainda de forma experimental via planilhas, em uma feira de trocas interna. Paralelamente, a escola implementou pela primeira vez um modelo de fraternidade econômica para as anuidades, convidando as famílias a contribuírem conforme suas possibilidades reais, em prol do coletivo. A iniciativa já mostra resultados: saltou de 2 ou 3 para 21 o número de famílias que pagam uma mensalidade de fomento, mesmo abrindo mão de descontos.

“É super subjetivo também: quem pode mais, quem pode menos?… É essa cadência que vivemos o tempo inteiro: como olhar para as minhas necessidades e para as minhas qualidades, o que posso oferecer para esse coletivo”, reflete Laura.

Olhar para o futuro

Para 2026, os desafios são claros: fortalecer as turmas de educação infantil e do 9º ano, consolidar a transição da diretoria e dar contornos ao uso do novo terreno. O trabalho nas ações afirmativas e a consolidação do plano diretor para os próximos 12 anos também seguem como prioridades. “A importância que isso traz para a ação no presente, pensar no futuro, olhar para o passado dá consistência à atuação no agora”, reflete.

Apesar das grandes demandas de trabalho e soluções para os desafios, o sentimento que predomina é o de esperança ativa, alimentada pelo propósito comunitário. “Seguimos acreditando, porque acho que é isso que nos move: o propósito dessa escola, a forma como ela veio ao mundo e a forma como percebemos os resultados a cada dia”, conclui Laura Guimarães. O Instituto Ouro Verde segue, assim, mostrando que é possível, ainda que a duras penas, construir e sustentar uma educação diferente e transformadora que contribua com a formação e o amadurecimento de seres humanos mais éticos, solidários e sustentáveis.

Acesse o novo site do Instituto Ouro Verde: https://www.institutoouroverde.com.br/

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