Topo

Celebra Muda: Uma ópera carnavalesca para festejar o coletivo e cocriar o futuro

Matéria publicada em 25 de novembro de 2025.

Tudo começou no 14° Encontro de Palhaços Anjos do Picadeiro, no Rio de Janeiro, quando uma turma de amigos lançou o Banco da Cultura, primeiro experimento que deu origem à Rede Muda Outras Economias. Deste encontro nasceu um princípio: celebrar e festejar como uma forma de reelaborar maneiras de estar neste mundo, com resistência e planejamento. De 1º a 7 de dezembro, o Celebra Muda toma a capital fluminense com uma programação que conecta parcerias, envolve o público e lança sementes para o futuro. O fechamento do evento é a “Palhaceata”, uma ópera circense musical ao ar livre que convoca todos os palhaços e palhaças – dos de circo, da rua e do palco aos que fazem agroecologia, educação e economia – para um grande cortejo no Aterro do Flamengo. Com o tema “Não somos de paz, nós somos de festa”, o evento é concebido e executado inteiramente pela Rede Muda e Saúva, celebrando a economia solidária, a arte e a cultura popular.

Celebra Muda chega à sua quarta edição como um antídoto à lógica individualista e um espaço de reelaboração do mundo. Depois de duas edições virtuais na pandemia, o evento retorna presencial, entre os dias 1º e 7 de dezembro, espalhando-se por diversos pontos do Rio de Janeiro – como a Casa Clima, o Ylê Asè Egi Omim, o CEM da Serra da Misericórdia, Cia Urbana de Dança e o Aterro do Flamengo.

De acordo com João Carlos Artigos, um dos organizadores da Rede Muda, a concepção do evento parte da ideia de que “nós somos seres de festa”. ” A gente gosta de festejar esse coletivo que faz a Muda “, explica. O Celebra Muda funciona como um balanço coletivo do ano que termina e um planejamento colaborativo para o ano que vem, tudo feito através do encontro, do suor conjunto e da celebração. “A possibilidade de encontrar os nossos pares, os nossos parceiros, para a gente poder se enxergar, se ver, suar junto e saber como foi o ano. Projetar o próximo ano e trazer para o encontro a possibilidade de a gente fazer esses cruzamentos que apontam as nossas partilhas para o ano seguinte”, complementa.

Diferente de um festival convencional, o Celebra Muda é um organismo vivo da Rede Muda Outras Economias. Toda a sua concepção curatorial, produção e execução é feita pelos próprios parceiros e iniciativas parceiras da rede. Desde as hospedagens, que acontecem nas casas dos integrantes, até a equipe de produção e registro audiovisual, tudo é realizado de forma colaborativa. “É esse emaranhado, esse grande caldo, esse sarapatel que a gente está temperando para poder originar o Celebra Muda. Ele será fruto dessa confluência, do início ao fim”, destaca João. Neste ano, a Rede Muda conta com as parcerias do CSAA Instituto Arandu, CSAA Confraria da Horta, CSAA Jardim das Delícias, CSAA Laboratório Terra Orgânica, Jornada da Mata, Centro de Tradições Ylê Asè Egi Omim, CSAA Regenera Rio Doce, Comunidade de Aprendizagem Colo da Montanha, Escola Quilombista Dandara, CEM – Centro de Integração da Serra da Misericórdia, SouCannabis, Mutirão Agroflorestal, Fundição Progresso, Educar+ e Rede Latinoamericana de La Risa.

Programação formativa, cultural e de festa

A programação é vasta e diversificada, contemplando crianças, famílias e adultos. Os dois primeiros dias (1 e 2/12) são dedicados a uma Roda de Saberes, um encontro das CSAAs (conceito de Comunidades que Sustentam a Arte e a Agroecologia que surgiu com a Muda) para discutir gestão, governança e modos de colaboração, com convite aberto a toda a Rede Saúva Jataí. “A primeira coisa que eu diria é que toda a Rede Saúva Jataí está convidada a chegar, a participar do Celebra Muda. Ainda dá tempo, gente!”, convida João.

Ao longo da semana, a agenda se desdobra em uma miríade de atividades:

  • Ações práticas: Oficina de destilação de aroeira (Regenera Rio Doce), manejo de podas e uma “ação de compostagem em parceria com o Laboratório Terra Orgânica”, no Centro de Tradições Ylê Asè Egi Omim.
  • Arte e cultura: Lançamento do projeto “Terreiro Abolicionista”, entrega do Troféu Nego Bispo a Uan Flor do Nascimento, Mona Lima e Hamilton Borges, e roda de sambalanço com Severo e seus comparsas.
  • Espetáculos: Apresentações de solos como “Cabeça de Nego”, de João Carlos Artigos, “Reencarnação”, de Larissa Siqueira, o espetáculo infantil “Alecrim”, de Francisco Gomide, “Inventando Moda”, da Cia Boca do Lixo, o “Menor Circo do Mundo”, da Família Clou e o Cabaré “Sorriso Aberto”.
  • Encontros comunitários: Lançamento do Clube do Livro com feijoada da Tia Cida no Quilombo Ferreira Diniz e o cabaré “Sorriso Aberto”.

O grande chamado para a Palhaceata

O Gran Finale do Celebra Muda acontece no domingo (7/12), no Aterro do Flamengo, com a Palhaceata. Mais que um cortejo, é uma ópera circense musical e carnavalesca, conduzida pela Orquestra do Bloco Céu na Terra e com direção de artistas como Guga Ferraz (artista plástico), Francisco Gomide (brincante da Carroça de Mamulengo), Palhaço Bolacha (Anápolis/GO) e Fábio Freitas (Teatro de Anônimo e Grupo Pedras).

A convocatória é para todo tipo de palhaços. “Os palhaços de circo, os palhaços de rua, os palhaços de teatro, os palhaços que estão fazendo agroecologia, os palhaços que estão cuidando da saúde, os palhaços que estão dando aula”, enumera João. A definição é ampla e política: “A concepção de palhaço aqui é todo mundo que está experimentando uma outra forma de existir e que não é a normativa cartesiana, colonial e branca. Todo mundo que está tentando subverter a ordem de maneira alegre”.

O planejamento para 2026 não virá de uma cúpula, mas desse caldo coletivo. “A ideia é que realmente a gente pare ali e, de repente, até se encontre em um vazio, para desse vazio a gente criar alguma coisa. O chamamento é para a gente pensar junto”, conclui João Artigos. O Celebra Muda é, portanto: celebração e festa, e a materialização de um outro mundo possível ou a germinação de mundos impossíveis, sendo gestado na alegria e no coletivo.

Confira a programação completa no Instagram da Muda: https://www.instagram.com/mudaoutraseconomias/

Compartilhar: