A Jataí esteve presente no PRI in Person 2025, realizado entre 4 e 6 de novembro no Anhembi Convention Centre, em São Paulo. O evento, que reuniu mais de 1.300 participantes de todo o mundo (80% deles estrangeiros), marcou a primeira vez, depois de 13 anos, em que o maior fórum global sobre investimento responsável ocorreu na América Latina. A conferência aconteceu em momento estratégico, às vésperas da COP30, que está sendo sediada em Belém em 2025.

O PRI e sua relevância global
O PRI (Principles for Responsible Investment) é uma iniciativa apoiada pela ONU, lançada em 2006 na Bolsa de Valores de Nova York por iniciativa do então Secretário-Geral Kofi Annan. A organização trabalha para integrar fatores ambientais, sociais e de governança (ESG/ASG) nas práticas de investimento em todo o mundo.
Atualmente, o PRI representa mais de 120 trilhões de dólares em ativos sob gestão de seus membros e conta com mais de 5 mil signatários globalmente, sendo apenas 120 no Brasil. A organização foi desenvolvida por um grupo de 20 investidores de 12 países, apoiados por 70 especialistas do setor financeiro, organizações intergovernamentais e sociedade civil. Seus seis princípios orientam investidores a incorporar questões ESG em análises e decisões de investimento, promover transparência e trabalhar colaborativamente para aumentar a efetividade dessas práticas.
PRI in Person 2025: São Paulo como epicentro global
O PRI in Person 2025 foi a 17ª edição anual da conferência e trouxe ao Brasil mais de 150 palestrantes especializados ao longo dos três dias de evento. A programação combinou sessões plenárias com visão estratégica sobre tendências que moldam o mercado de investimentos e se aprofundou em discussões voltadas ao apoio de investidores na implementação de ações concretas.
Entre os convidados ilustres esteve Marina Silva, Ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, que fez a palestra de abertura do evento. Em sua fala, a ministra defendeu a urgência de uma reforma no sistema global de financiamento climático: “A mudança do clima é o principal sintoma de um modelo que pensou que os recursos não acabavam. A vida está desprotegida, e sem vida não há negócios. Sem planeta saudável, não há bem-estar humano”, alertou. Marina também destacou o Plano de Transformação Ecológica, que pode gerar mais de 2 milhões de novos empregos, e enfatizou: “O setor financeiro não pode ser um observador pacífico. O caminho para Belém, na COP30, está pavimentado com ações concretas e oportunidades de investimento.”

Também esteve presente o Ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, além de líderes de importantes instituições financeiras nacionais e internacionais. Marcelo Seraphim, Head do PRI no Brasil, destacou a importância do evento: “As discussões abordam como incorporar questões ASG nos processos de investimentos, além de como atrair capital dos mercados desenvolvidos para os emergentes. Se trata de um verdadeiro evento global.”
A visão da Jataí sobre o evento
Para Leandro Almeida, diretor-presidente da Jataí, a participação no PRI in Person vai muito além das conexões profissionais tradicionais. “Na verdade, esse segmento de atuação de investimentos responsáveis é muito restrito no mundo financeiro. Apesar de eles serem muito divulgados e comentados, o PRI é o evento mais representativo”, afirma.
Ele complementa: “Então, para a Jataí, que trabalha com esses valores de investimentos regenerativos, este é um espaço fundamental, pois nele temos lugar de fala e podemos compartilhar nossas ideias, fazer trocas de sugestões sobre produtos financeiros, pensar numa integração de atuação e ampliar os relacionamentos, fomentando esse networking que é tão necessário para a manutenção da nossa rede.”
Contribuições propositivas da Jataí
Além disso, Leandro destaca a participação ativa da Jataí para as reflexões feitas nesses espaços: “Uma coisa super importante foi que a própria Jataí foi participante de alguns painéis; ajudou a desenvolver alguns painéis que trataram de temas complexos que ainda não são tão desenvolvidos dentro do mercado financeiro”, explica.
Como exemplo, ele cita o Jataí Futuro Ancestral, primeiro fundo brasileiro que reverte diretamente, a partir do próprio regulamento do fundo, a maior parte do lucro do administrador para a causa indígena:
“A Jataí, de forma inovadora, contribuiu para que o painel mais representativo da diversidade e inclusão em todo o evento ocorresse. O painel ‘Direitos Indígenas e Desmatamento/Demarcação de Terras’ contou com a mediação de uma mulher negra amazonense, uma líder indígena, uma mulher branca de origem europeia, e um homem brasileiro de origem nordestina. A apresentação nesse painel do Fundo Jataí Futuro Ancestral demonstrou que é possível estimular a interdependência dos povos originários, com autonomia e perenidade que se tornam viáveis com produtos financeiros formais que viabilizem os investimentos dos investidores tradicionais buscadores de retorno econômico.”
O diretor-presidente da Jataí conclui: “O nosso valor é que a gente consegue imprimir nesse projeto, nessas discussões, falas muito mais propositivas, apresentando as ideias, os conceitos disruptivos que estão incluídos nos produtos que a gente já desenvolve”, continua Leandro.

A vanguarda dos investimentos de impacto
Pedro Valente, Diretor de Investimentos (CIO) da Jataí, avaliou a participação no evento como uma oportunidade de validação e aprendizado. “No PRI estava o principal selo de investimento de impacto no mundo. Ali estava a vanguarda dos produtos que existem neste segmento, dos pensamentos em torno do tema e das tecnologias por trás disso”, afirma.
Pedro destaca ainda a repercussão positiva dos projetos da Jataí: “
Outro ponto que eu achei importante foi a repercussão do nosso projeto sobre a economia azul. Percebemos que o que estamos fazendo é totalmente diferente do que já existe no mercado mundo afora. Então, as pessoas que estavam ali, pessoas que a gente conversava, quando a gente explicava sobre este nosso projeto no mercado brasileiro, elas tinham muito interesse e ficavam impressionadas com o que está acontecendo por aqui em algum grau.”
Para ele, essas interações foram fundamentais: “Então, essas trocas fortaleceram o ânimo para seguir trabalhando e acreditar que a gente está no caminho certo. Botar a Jataí no mapa, aparecendo mais, nos colocando no mundo, e demonstrando que fazemos algo bem diferente do que existe no mercado financeiro.”

A perspectiva da Saúva
A Saúva, associação não governamental mantida pela Jataí que fomenta iniciativas sociais nas áreas de agroecologia, apoio a povos originários, educação libertadora, arte e cultura, e moedas sociais em dezenas de municípios brasileiros, também esteve presente no evento, a partir da representação de sua gestora, Flávia Gribel.
“Participei de um painel bem interessante sobre Diversidade, Equidade e Inclusão, que contou com a presença da diretora de responsabilidade social e direitos humanos da L’Oreal do Brasil. O painel reforçou a importância da diversidade como aliada ao processo de inovação e uma ‘oportunidade’ dentro das empresas”, relata Flávia, explicando que também esse é o caminho que tem sido traçado dentro da Saúva.
A gestora destaca outro tema relevante: “Outra discussão importante foi o painel com os indígenas, que remete a um dos pilares estruturais da Saúva, que é o apoio aos povos originários. Ali ficou clara a importância deles como guardiões das florestas e grandes aliados no combate ao aquecimento global.”
Jataí apresenta exemplos concretos
A participação da Jataí no PRI in Person 2025 reafirma seu posicionamento de comprometimento com os investimentos responsáveis. Muito além de uma observadora, a Jataí contribui como agente de transformação no mercado financeiro brasileiro, capaz de apresentar soluções efetivas e inovadoras para os desafios contemporâneos.
Sandra Gonçalves, consultora em gestão que também fazia parte da comitiva, reflete sobre o valor dessa participação:
“É importantíssimo que a Jataí marque presença para apresentar aos investidores os seus produtos e como eles são desenhados para apoiar os povos originários e tantos outros projetos da Saúva. Foi muito interessante perceber, nas conversas, como as pessoas se surpreendem com este modelo de investimento inovador de impacto eco-educativo-social. Elas se conectam imediatamente e expressam a importância da Jataí ser mais conhecida”.
Em um balanço mais profundo sobre o conceito de investimentos, Samantha Gribel, da equipe de Gestão e Concierge da Jataí, ao final do evento reflete:
Refleti bastante sobre o significado da palavra investimento, para além da definição comumente usada por nós, notadamente no mercado financeiro. É uma palavra que vem já imbuída de uma série de significados arquetípicos e, na correria do dia a dia, muitos de nós não têm tempo para refletir sobre, e a usamos no automático. Mas, de fato, investimos ou desejamos investir no quê? Em quê? Que resultados pretendemos obter? Apenas financeiro? Ou podemos/devemos pensar em investimento como algo mais amplo?
Uma vez que conceito de investimentos é intrinsecamente ligado à noção de futuro, Samantha, a partir das percepções vividas no evento e na sua prática na Jataí, amplia o prisma dessa reflexão: “E que futuro seria esse? Não deveríamos estar pensando em investir no nosso futuro, no futuro das próximas gerações? Seria apenas o futuro em termos de recursos financeiros? Este retorno é importante e necessário para vivermos no mundo, claro, mas não é o único. E o retorno como forma de impacto positivo no planeta? No alimento que comemos? No ar que respiramos? Ele não deve entrar na conta como um lucro altamente significativo?”
A realização do maior evento de investimentos responsáveis do mundo no Brasil, às vésperas da COP30, demonstra que é fundamental seguir discutindo e levando o tema do investimento responsável adiante. A Jataí, junto com a Saúva, reforça seu compromisso de contribuir para essas discussões em âmbito nacional e internacional, provando que é possível equilibrar rentabilidade com impacto social e ambiental positivo: “Precisamos continuar mostrando que é possível ter uma redução dessas externalidades que esse sistema financeiro sempre gerou”, finaliza Leandro.