Matéria publicada em 12 de novembro de 2025.
O Encontro Presencial da Rede Saúva Jataí de 2025, no Rio de Janeiro, debateu conceitos e práticas transformadoras desenvolvidas pelas iniciativas e fortaleceu ainda mais as conexões entre elas. Com o conhecimento prévio das características de cada projeto e com os gestores à frente, o grupo pôde evoluir e tecer mais fios em dinâmicas e práticas que contribuíram com a arquitetura desta complexa rede de iniciativas e propósitos. Uma delas, facilitada por Izabel de Barros Stewart, foi mais que um simples mapeamento: foi o início de um processo para produzir uma “radiografia” da sua identidade, desejos e propósitos. Cada uma das cinco perguntas, inspirada em conceitos sociocráticos e escuta ativa, revelou camadas de significado e intencionalidade, detalhadas e debatidas coletivamente. Abaixo, descrevemos cada tópico para reverberarmos a riqueza desse debate de acordos comuns e em constante transformação.

1. QUAL É A ÁREA DE ATUAÇÃO: O ecossistema de transformação
A atuação da rede não é uma lista de temas isolados, mas um tecido de causas interligadas que se reforçam mutuamente.
• Educação transformadora
• Inclusão e diversidade
• Agroecologia / Cultura alimentar
• Arte e Cultura
• Povos e comunidades tradicionais e periféricos / saberes ancestrais
• Outras economias / economia social solidária (moedas complementares
• Finanças solidárias
• Saúde integral
• Tecnologia e ciência
• Fortalecimento comunitário territorial
• Justiça climática e socioambiental / direitos da natureza
• Restauração e proteção das florestas e da biodiversidade


2. A QUE SERVE: A função aglutinadora e catalisadora
A rede como uma plataforma viva que potencializa as inciativas para cumprirem seus papéis específicos e vitais no ecossistema.
• Fortalecer iniciativas, redes e territórios
• Promover sustentabilidade e regeneração
• Apoiar, ampliar e dar visibilidade
• Fomentar ações sociais, ambientais, culturais e econômicas solidárias
• Construir novas relações com o capital e com o mundo
• Promover transformações sociais e territoriais
• Ampliar o acesso a recursos e gerar conexões
• Promover saúde integral


3. O QUE RECEBE: A seiva que nutre a Rede
A rede é um organismo que se alimenta de insumos tangíveis e intangíveis.
• Conhecimento, experiências e aprendizados coletivos
• Propostas e demandas da rede e da sociedade
• Ativos sociais, culturais, econômicos, ambientais e ancestrais
• Confiança, relações e pertencimento
• Alegria, motivação e sentido
• Abundância e reconhecimento


4. O QUE SUSTENTA: As colunas que sustentam a estrutura
São os princípios e práticas que garantem a solidez e a longevidade da rede.
• A ação de cada iniciativa e seus propósitos
• Colaborações e relações
• Sonhos e utopias
• Valores ligados à vida, à terra e ao cuidado
• Princípios decoloniais e antirracistas
• Transparência, ética e envolvimento
• Continuidade e manutenção das iniciativas
• Protagonismo de territórios e comunidades


5. O QUE GERA: O ciclo virtuoso de impacto
Os frutos colhidos são a materialização do seu propósito, criando um ciclo de retroalimentação positiva.
• Transformação social, ambiental, econômica e cultural
• Autonomia, sustentabilidade e regeneração
• Viabilidade e visibilidade das iniciativas
• Cultura de prosperidade e autonomia
• Valorização das iniciativas, autoestima coletiva e pertencimento
• Sinergia e interconexão entre territórios
• Inovação e diversidade
• Cuidado com a terra e fortalecimento das comunidades
• Externalidades positivas
• Decolonização do pensamento
Estes propósitos mostram que a Rede Saúva Jataí é, sinergicamente, muito mais que a soma de todas as partes. O mergulho nos cinco pilares desta Rede deixa claro que estamos diante de algo mais rico e dinâmico que um simples aglomerado de projetos, e que necessita de tempo para aprofundar nestes conceitos. Este organismo complexo, ético e afetivo demonstra, na prática, que a verdadeira sustentabilidade não é um ponto de chegada, mas um processo contínuo de construção coletiva. Sua força não está apenas na clareza de seus propósitos, mas também na profundidade das conexões que tecem, criando um ecossistema onde a ação local gera impacto sistêmico.

Para Izabel, os conceitos debatidos no encontro ainda precisam de mais tempo para serem construídos coletivamente. Sua sugestão é que esses temas possam ser aprofundados em um Encontro No Coreto, onde essa dinâmica seria revista e detalhada. “Eu só acho mesmo que caberia colocar isso como o início de um mapeamento para identificarmos propósitos que temos em comum e os horizontes que nos movem juntos como rede. (…) Ver se as pessoas estão de acordo com isso que foi destrinchado e como é que a gente segue nessa dinâmica, que debates isso pode trazer”, detalha Izabel.

A Rede se consolida, assim, como um caso exemplar de colaboração, transcendendo a lógica da mitigação de danos para operar na regeneração ativa dos tecidos social, educacional, cultural, alimentar, econômico e ambiental. Os desafios que surgem em seu caminho são bem-vindos e sinais de sua maturidade e complexidade, indicando que está viva e em movimento. E ela faz uma provocação: “O que é preciso fazer para que esse valor que a gente comunga como rede esteja sempre vivo e sendo recolocado?”
A próxima fronteira para esta teia é a consolidação de práticas que garantam sua resiliência no longo prazo, sem, no entanto, sacrificar a flexibilidade e o afeto que formam a sua base estrutural. O maior legado da Rede Saúva Jataí pode ser justamente este: mostrar que é possível institucionalizar a esperança, estruturar a utopia e, a partir de raízes bem cuidadas, fazer florescer o futuro que todos almejamos – um futuro onde a transformação é, antes de tudo, um ato de cuidado coletivo.
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