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Associação Amanu e projeto Camponês a Camponês semeiam o cooperativismo nos quintais de Minas

Matéria publicada em 7 de outubro de 2025.

O dia amanhece em Jaboticatubas e ilumina o trabalho de dezenas de camponeses. O cheiro de terra revolvida para o plantio de feijão e quiabo mistura-se aos aromas do campo na propriedade de seu Amintas e dona Isabel. Neste dia, o mutirão camponês superou todas as expectativas: o planejado plantio de setecentos metros quadrados transformou-se em mil e quinhentos, com direito à passagem do trator e à energia coletiva que contagia até visitantes de Capim Branco, que imediatamente quiseram integrar a rede. “Um trabalho muito bom, que agradou muito a família. Todo mundo gostou, trouxe muita energia boa para os nossos encontros, o pessoal ficou bem animado”, se alegra.

Luiz Felipe Lopes, coordenador executivo da Associação Amanu, conta que esta é a metodologia Camponês a Camponês em sua essência: quatro horas de trabalho prático pela manhã – seja no manejo, plantio, limpa ou capina – seguidas por rodas de conversa à tarde onde se compartilham saberes sobre culturas variadas como a batata-inglesa, batata-doce e as novidades do plantio da batata-baroa, também conhecida como cenoura-amarela. Desses diálogos nasceu a Quarta Agroecológica, encontro bimestral que já conta com o apoio fundamental da EMATER, EMBRAPA e EPAMIG. Luiz nos atualiza sobre as mais recentes ações de fortalecimento e trocas envolvendo a comunidade da agricultura familiar de Jaboticatubas/MG.

Ele conta que a primeira Quarta Agroecológica foi dedicada ao maracujá, com capacitação completa pela técnica da EMATER de Santana do Riacho, Erika Regina Carvalho, abrangendo desde o preparo do solo e seleção de mudas até o tutoramento, manejo de pragas, irrigação e melhoramento genético: “Seleção de sementes, cruzamentos que a gente possa fazer para ir melhorando a genética”. Participam também Rogério Medeiros e Victor Lucas Marques, ambos da EMATER local de Jaboticatubas, fortalecendo esta parceria estratégica que permite à rede reduzir sua dependência de recursos financeiros externos.

Para Luiz, a rede expande-se além dos campos. Na comunidade do Berto, na divisa entre Jaboticatubas e Santana do Riacho, avança o projeto Coco Macaúba: a planta de manipulação de alimentos da casa comunitária está com equipamentos posicionados e nas fases finais de instalação hidráulica (esta planta visa garantir as condições higiênico-sanitárias e prevenir a contaminação dos alimentos). Ela deve seguir as Boas Práticas de Fabricação (BPF) e os princípios de higiene para que o fluxo do processo evite contaminação cruzada. Com previsão de testes para outubro, a estrutura promete melhorar os processos produtivos das famílias, aproveitando melhor a matéria-prima e elevando ainda mais a qualidade do óleo já produzido localmente.

Os desafios comerciais são encarados com planejamento meticuloso. No encontro trimestral da rede, Davi apresentou o plano de negócios do armazém Raízes do Campo, já 100% pronto. O plano analisa desde adequações de rótulos e embalagens até estratégias de precificação adaptadas a diferentes mercados: enquanto em Jaboticatubas se compra urucum em potes de 200 gramas, em Belo Horizonte a preferência é por pacotes de 10 a 30 gramas.

A realidade impõe desafios educacionais significativos. Gráficos e planilhas do planejamento comercial apresentam dificuldades para agricultores com educação formal limitada, exigindo pedagogia específica de educação de jovens e adultos. O objetivo permanece claro: não o pensamento de um lucro individual, mas sustentabilidade econômica com a renda justa para todos poderem reinvestir na comercialização dos associados, rumo à formação de uma cooperativa que fortaleça toda a rede.

Enquanto isso, seguem os mutirões que alimentam corpo e alma. O cardápio do almoço saboroso e saudável, a felicidade de ajudar o próximo, a energia positiva que anima todos os participantes – tudo converge para fortalecer esta teia de solidariedade que une projetos como a feira Raízes do Campo Jabó-Santana e a Casa Comunitária do Coco Macaúba.

Com cada semente plantada, cada máquina instalada, cada gráfico compreendido, a rede agroecológica consolida seu modelo onde conhecimento compartilhado e trabalho coletivo alimentam não apenas corpos, mas sonhos de autonomia, saúde e bem estar social que brotam da terra fértil da cooperação.

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