Matéria publicada em 2 de outubro de 2025.
O 7° Plante Rio, realizado dias 12 e 13 de setembro na Fundição Progresso, sob o lema “Entre Rios Diversos”, reverberou um duplo movimento: o amadurecimento interno da “Fundição Verde” e a perspectiva de ancorar um CSCSA (Centro de Educação e Cooperação Socioambiental), uma política pública federal do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Foi nesse espírito que o sétimo Plante Rio plantou sua semente mais robusta: a consolidação do “Arquipélago”, uma rede de cooperação socioambiental ancorada no estado do Rio. Muito além de um festival anual, o evento se revela a ponta mais visível de um movimento estratégico de conectar “rios diversos” – coletivos, agricultores, artistas e comunidades – para amplificar suas vozes e ações em prol de um mundo mais justo e regenerador.


“O Plante Rio cria realmente um ponto de encontro entre várias tribos, um ponto de encontro que a gente está favorecendo a economia circular, está favorecendo o artista, está apoiando movimentos e abrigando os vários coletivos”, define Denise Amador, organizadora do evento junto de Izabel de Barros Stewart. O lema “Entre Rios Diversos” traduz esse desejo de ser um território comum para a diversidade de atores que constroem, no dia a dia, um Rio de Janeiro mais sustentável.

A estratégia do Arquipélago é a materialização local de uma política nacional: os Centros de Educação e Cooperação Socioambiental, impulsionados por Marcos Sorrentino, do Ministério do Meio Ambiente. A Fundição Progresso, com sua vocação cultural e comunitária, foi identificada como o lugar ideal para ser essa âncora. “Desde 2023, a gente está puxando essa articulação desse centro no estado do Rio”, conta Denise, destacando que o Plante Rio é um dos braços dessa iniciativa mais ampla.

Os dois ritmos do evento do “público convertido” à população da cidade
A sexta-feira, 12 de setembro, foi dedicada ao aprofundamento da discussão de temas importantes, como o colapso climático e Educação ambiental climática, ação realizada junto ao Coletivo Coalizão pela Clima. Com um público entre 85 e 100 pessoas – o que Denise classifica como “os convertidos” –, o dia foi marcado por rodas de conversa e uma oficina de trabalho sobre o próprio arquipélago, mediada pelo consultor do Ministério do Meio Ambiente, Luiz Ferraro. A ação da artista Helen Sarapeck, do Teatro Oprimido, “aqueceu” os participantes e trouxe a discussão “para o corpo”, unindo a arte nos debates socioambientais.


Já o sábado, 13 de setembro, abriu as portas para a cidade, com uma programação mais artística e diversificada. Duas novidades se destacaram: uma exposição de arte com trabalhos de artistas plásticos da rede do evento e uma “mostra” interativa, semelhante a uma feira de ciências ou um congresso científico, onde coletivos apresentaram seus projetos socioambientais. “Ficou com uma cara ali de feira. Quando você passava ali, passava pelo lugar da mostra, tinha muita interação”, detalha Denise.
A programação contou com uma forte participação dos grupos residentes da Fundição, como o Teatro do Anônimo, que fez a recepção lúdica com Mestras de Cerimônia, e apresentações do quarteto Wanderlust, da artista Deborah Motta, e oficinas com a Intrépida Trupe e Circo no Ato, cortejo com o Céu na Terra, entre outros. As rodas de conversa da tarde, sobre “Arte e ativismo” e “Desemparedando as infâncias”, foram avaliadas como muito ricas e com diversas trocas.
A teia construída do encontro à ação coletiva
A programação não foi imposta de cima para baixo, mas construída com conversas e articulações. Coletivos como a Coalizão pelo Clima e o Fórum de Mudanças Climáticas e Justiça Socioambiental foram incorporados ativamente, trazendo debates qualificados sobre a COP30 para o coração da Lapa. “Foram dois coletivos que fazem parte do Arquipélago que compuseram a programação”, explica Denise.


O sucesso dessa metodologia colaborativa é mensurado pelos frutos que gerou imediatamente após o evento. “No dia seguinte ao Plante Rio, já me escreveu uma pessoa de uma instituição que esteve na roda de clima de preparação da COP, pedindo espaço para realizar um Fórum de quilombolas pelo clima durante os dias da COP”, relata Denise, com entusiasmo. Uma professora que participou da roda sobre infâncias também procurou a organização para propor a criação de um fórum permanente sobre o tema no espaço. São evidências de que o Plante Rio está construindo esse hub de convergência e potência.
O futuro em Rede com projeções e fortalecimento do Arquipélago
O plano agora é dar musculatura e perenidade a essa rede. A meta é realizar edições menores e temáticas do “Plante Rio” ao longo do ano, como uma semana de cinema ambiental, mantendo o vínculo e o debate sempre aquecidos. “A gente gostaria de fazer Plante Rios menores, com outras pegadas… momentos às vezes menores e mais baratos, mas que vá mantendo uma frequência ali”, planeja Denise.
Para isso, a estrutura do Arquipélago está sendo profissionalizada. Foi criado um grupo de gestão coletiva para descentralizar a liderança. “Eu queria que despersonalizasse de mim… que tenha uma coisa colegiada, um conselho, uma turma que vá fazendo acontecer. E acho que os movimentos e decisões são coletivas”, defende Denise.

Esse projeto atual e necessário está prestes a ganhar um impulso significativo. Um plano de ação submetido ao Ministério do Meio Ambiente, através da Fiocruz, está com a aprovação iminente e deve liberar recursos ainda em 2025. O investimento será direcionado para alavancar as principais frentes do Arquipélago: a realização de encontros presenciais que conectem as diferentes regiões do estado, a criação de uma robusta estratégia de comunicação para a rede e a oferta de cursos de formação nos territórios.
“Eu acho que ter a força da turma ambiental mais coesa, mais articulada, vai ser fundamental”, projeta Denise, vislumbrando o cenário eleitoral do ano que vem. O Plante Rio de 2025 deixou claro: diante de desafios tão grandes, a união em rede não é apenas um ideal, mas a ferramenta mais poderosa para navegar em direção a um futuro possível.


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