Matéria publicada em 5 de agosto de 2025.
No alto do Complexo do Chapadão, onde muitos veem limitações e o alcance do estado é praticamente nulo, o Instituto Educar Mais enxerga possibilidades de acolhimento, educação e inclusão social. Oito anos após iniciar suas atividades com simples rodas de leitura na porta de casa, a ONG se prepara para dar um salto significativo: a construção de uma sede própria de dois andares, viabilizada por investimentos de parceiros que superam R$ 300 mil.
A trajetória do instituto reflete uma história de persistência e compromisso da fundadora Carol Santos e da gestora Tainá Brito, com a comunidade local. O projeto, que começou de forma despretensiosa, hoje atende 85 famílias e se consolida como referência em educação, cultura e apoio psicossocial em uma das áreas mais carentes do Rio de Janeiro.
Os novos recursos, provenientes dos parceiros Instituto Phi e Instituto Quadra, permitirão a construção de um espaço adequado às necessidades das crianças e adolescentes atendidos. O projeto arquitetônico prevê salas amplas para atividades educativas e culturais, espaço para atendimento especializado a crianças com autismo e TDAH, sala das professoras, além de áreas de convivência e alimentação – itens básicos que atualmente faltam na sede atual.



“O Instituto Quadra tem um apoio que é de três anos. Então, eles falaram que ano que vem é o último ano (do suporte) deles e que quando eles saírem, querem que a gente tenha uma boa estrutura para poder deixar a gente bem mesmo. Eles abriram esse espaço para a gente poder sonhar com um projeto que vai comportar tudo que a gente imagina”. Tainá Brito – Pedagoga e gestora do Instituto Educar Mais
Todo o planejamento arquitetônico e estrutural está sendo feito de acordo com todos os protocolos de segurança e com o olhar das gestoras para que a nova sede atenda completamente a missão do instituto daqui pra frente, com qualidade e espaço adequado. Segundo Tainá, a expectativa é que a obra esteja concluída até meados de 2026. “Mas o prazo correto, concreto, só quando estivermos com o projeto arquitetônico e projeto estrutural finalizados, e aí a gente vai saber mais ou menos quando a obra fica pronta”, relata.

O fomento da Saúva segue sendo o mais antigo e um pilar da estrutura do instituto, pois apoia vários projetos e o pagamento de pessoal. Atualmente, o apoio da Saúva remunera os profissionais dos projetos de arte e literatura, alfabetização, grupo de convivência e alimentação. Tainá fala da satisfação com o aporte de recursos dos outros parceiros, Grupo Phi e Quadra: “a gente está muito feliz, porque é muito difícil você encontrar um parceiro que visa esse crescimento; e para a gente é muito legal porque eles acreditam. Para mim, eles estão chancelando o nosso trabalho: ‘acreditamos tanto em vocês, no trabalho, na diferença que fazem no Complexo do Chapadão, que estamos investindo, porque é um dinheiro muito grande’”.


O caminho até aqui não foi simples. A equipe do Educar Mais enfrentou desafios técnicos, como a necessidade de estudos topográficos em um terreno acidentado, e superou as dúvidas quanto à instalação da nova sede em áreas mais acessíveis. A resposta veio na forma de compromisso com suas origens: permanecer exatamente onde são mais necessários.
“A gente teria mais patrocínio se fosse no asfalto, mas para nós é muito importante construir um projeto social que trabalha com educação, cultura, psicossocial e tecnologia no pico do Complexo do Chapadão (uma comunidade muito violenta que não tem acesso a absolutamente nada). A gente está sendo referência nesse lugar e sendo resistência também. Estamos aqui permanecendo e crescendo, apesar de todas essas adversidades, de todas essas violências. (Estamos aqui) pelas crianças e pelas famílias que a gente atende”. Tainá Brito – Instituto Educar Mais
Enquanto aguardam a conclusão dos projetos arquitetônicos e estrutural para iniciar as obras – previstas para o fim de 2025 – educadores e gestores trabalham no planejamento de novas atividades que serão possíveis com a estrutura ampliada. Dança, música e esportes estão entre as demandas identificadas junto às crianças atendidas. “Falamos que tivemos muita sorte, porque todos que trabalham com a gente começaram por um propósito, sabe? Todo mundo é alinhado com o propósito, sabem por que estão ali e acreditam naquelas crianças”, fala Tainá, emocionada.


A nova sede chega no momento em que o instituto completa oito anos de existência e vivenciando a reestruturação do próprio nome, logomarca e da missão da ONG. Tainá conta que foi preciso repensar esses objetivos e retomar algumas práticas dos primórdios da ONG: “construir indicadores e estruturar mais a parte administrativa, já pensando nesse crescimento. E, agora, estamos pensando novos projetos”. A trajetória do Educar+ é marcada por histórias como a de Cadu, que participava das atividades quando criança e, hoje, aos 16 anos, segue vinculado ao projeto. “É uma trajetória muito bonita e que a gente está muito feliz de conseguir tudo isso nesse momento. É um processo difícil, mas muito gratificante, porque estamos muito fortes. São exemplos como esse que motivam a equipe a continuar ampliando seu impacto, sem perder de vista o propósito inicial: transformar vidas através da educação, da cultura e do acolhimento.
O Educar Mais se consolida assim como exemplo de como projetos sociais podem, de fato, criar raízes, vínculos verdadeiros e florescer mesmo em solos aparentemente áridos, desde que regados com persistência, empatia e compromisso genuíno com a comunidade e seus propósitos.
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Por Paulo Sérgio Pires.