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Solo da Cana faz temporada no CCBB de Brasília

Matéria publicada em 26 de março de 2025.

O espetáculo Solo da Cana está com temporada marcada no Centro Cultural do Banco do Brasil em Brasília, e será acompanhado de três rodas de conversa após a apresentação. A ideia dessas rodas de conversa surgiu na temporada do CCBB em Belo Horizonte, de onde veio a indicação do espetáculo para Brasília. Izabel de Barros Stewart, que assina o texto e atuação do espetáculo com direção de João Saldanha, conta que essas conversas têm ampliado as reflexões trazidas pelo Solo da Cana com outras comunidades e territórios que o trabalho dialoga. Em 2025, estão previstas temporadas em Brasília e Recife, além de uma apresentação remanescente do projeto Solo em Rede no Serro/MG, onde está localizada uma das iniciativas que compõem a Rede Saúva, o projeto Teia da Terra.

Temporada com Rodas de Conversa

O retorno do Solo da Cana aos palcos virá, mais uma vez, acompanhado de três rodas de conversa com representantes de comunidades e territórios que poderão trazer suas reflexões e contribuições para questões complexas e polêmicas que são apresentadas no texto. As convidadas são Luciana Lara no dia 29/03, artista de dança contemporânea engajada com ações micropolíticas, Daiara Tukano no dia 05/04, artista indígena engajada no movimento dos povos originários, e Ana Terra Reis no dia 12/04, integrante da cúpula do MST que atua na Secretaria de Abastecimento do Ministério do Desenvolvimento Agrário. Segundo Izabel, esse convite de representantes de movimentos sociais, ambientalistas e artivistas vem de sua admiração por elas e também para “me aliar às lutas que essas mulheres representam”. O objetivo desses encontros é trocar impressões e pontos de vista sobre a questão fundiária, da herança colonial que deixou marcas no solo e nas gentes que se vinculam à terra para “pensar estratégias que possam mudar o registro colonial que temos”

Retorno do público e crítica

Izabel de Barros conta que o que mais a tem surpreendido com o retorno do público sobre o espetáculo é a quantidade de vezes em que as pessoas retornam para assistir à apresentação. “Tem sido uma surpresa feliz perceber que as pessoas assistem ao trabalho mais de uma vez. Elas me falam que querem ouvir de novo e acho isso bastante significativo num momento em que existe uma disputa pela atenção. Tenho tratado o Solo da Cana como um manifesto contra-monocultural e ter pessoas que têm esse interesse nesse manifesto, fazê-las parar e pensar sobre isso é significativo”, diz Izabel. A maneira com que o texto é apresentado nas cenas produz uma dinâmica vertiginosa que pode deixar o espectador tonto e, junto com o interesse pela atualidade das reflexões apresentadas, tem feito com que muitas pessoas desejem voltar para assistir ao espetáculo, chegando a ver duas, cinco, dez vezes. Muitas delas lhe disseram que gostariam de estar com um bloquinho para anotar partes do texto e reflexões importantes durante a apresentação. Esse foi um dos motivos que levou Izabel a se debruçar em um novo projeto derivado do Solo da Cana: publicar o texto da peça em livro, que ainda está em fase de produção.

Entretanto, Izabel diz que não considera seu texto como dramatúrgico: “É um texto para ser dito em voz alta, acho que é um texto performativo, mas não é propriamente dramatúrgico, no sentido mais tradicional do termo”, pondera.

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