Topo

Educar+ inicia 2025 com 12 projetos para crianças e adolescentes e novo imóvel para dar mais conforto a todos

Matéria publicada em 19 de março de 2025.

A ONG Educar+ adquiriu no final de 2024 um imóvel ao lado da atual sede, no Complexo do Chapadão que fica no Bairro Anchieta, Rio de Janeiro. Um doador, pessoa física, viabilizou a compra dessa casa que era um antigo sonho das gestoras da ONG. Esse novo imóvel trará mais conforto para a equipe de professoras, mais espaços para atender as crianças e possui um quintal onde pretendem desenvolver uma horta. O objetivo agora é reformar esse imóvel para ampliar o atendimento dos projetos da ONG, e para isso, a Educar+ conta com sua rede de apoio e parceiros. Este ano, a ONG está com 12 projetos em andamento, como alfabetização, leitura integrada, Game nóis juntos, entre outros, buscando ainda viabilizar financeiramente um novo projeto: Jovem Aprendiz. A ideia deste projeto surgiu a partir dos núcleos de convivência, quando perceberam que alguns adolescentes ficavam ociosos e muitas vezes falando sobre emprego, jovem aprendiz e mercado de trabalho. A educadora, percebendo que nesse grupo havia uma falta de conhecimento, pois não sabiam como procurar vagas no mercado de trabalho e como serem bem sucedidos numa entrevista de emprego, levou essa demanda às gestoras. Assim, a ONG criou este projeto com 20 vagas para alunos de 15 a 19 anos.

Atualmente, a ONG aguarda a confirmação de patrocínio de um dos apoiadores para o projeto que já conta com 14 inscritos. Segundo Tainá Brito, pedagoga e gestora da ONG, a intenção não é somente prepará-los para o mercado de trabalho, mas fazê-los entender como funciona a vida fora da comunidade. “Eles vivem em uma bolha e só falam em dinheiro. Mas não pensam em se qualificar, em fazer um curso ou outras oportunidades que não tenham a ver com o trabalho em si. Nossa intenção não é somente jogá-los no mercado de trabalho, mas apresentar os caminhos para isso”, comenta.

Em 2025, o processo de inscrição dos alunos foi diferente: as famílias foram entrevistadas de forma individualizada. Nesta entrevista, junto da assistente social, foi perguntado como era a estrutura dessa família; a composição familiar; como vêem os filhos; como enxergam a ONG e o que esperam dela; quais são as potencialidades e vulnerabilidades da família. Numa delas, a mãe de uma jovem de 15 anos, relatou que a filha queria vender balas no sinal para ajudar em casa. Tainá nos conta que isso a impactou profundamente, pois ela sabia o que essa jovem iria passar na rua para conseguir alguns reais que não iriam resolver a vida da família. Na conversa, ela convenceu a mãe de que o melhor agora é que a jovem focasse na escola. Esse depoimento serviu para verem o quão urgente era falar com esses jovens sobre ganhar dinheiro antes de se qualificarem e que isso poderia atrasar ainda mais suas vidas. “São jovens periféricos, o acesso a tudo é mais dificultado”, explica.

Parceria com o PAFE

No encontro presencial da Rede Saúva Jataí em 2024, Tainá participou do grupo que refletiu sobre educação e teve a oportunidade de conversar melhor com a Fabíola Guadix, gestora do PAFE. Tainá demonstrou interesse em indicar uma educadora para ser beneficiada pelo programa. Com a abertura do edital, Tainá conta que elas puderam participar e inscreveram a educadora cujo sonho era estudar pedagogia. A Ana Maria Menezes se inscreveu, foi aprovada e já está cursando a faculdade de pedagogia à distância.

Ana Maria Menezes é assistente de projetos da ONG e estudante de Pedagogia

Outra proposta para este ano foi proporcionar um curso de formação antirracista para a equipe da Educar+. Mesmo com todo a educação e o cuidado da ONG, elas perceberam ano passado que, muitas vezes, as crianças ainda repetem falas racistas. Mesmo sendo vítimas do racismo, elas reproduzem as mesmas falas e atitudes discriminatórias. A intenção é desconstruir esse tipo de reação inconsciente para que as crianças levem essas atitudes para fora da ONG também. Em janeiro, elas tiveram dois dias de encontro interno, que teve por objetivo refletir e planejar como deve ser a formação: como abordar o tema, como se transformar em uma instituição antirracista, qual literatura e atitudes podem ser compartilhadas por todos. “Isso foi um divisor de águas. Porque precisamos entender como foi construída a história do Brasil para entender como nossas crianças vivem, como o negro é tratado e visto pela sociedade, e quais os empecilhos que precisamos enfrentar. Porque muitas vezes reproduzimos essas violências, sem perceber, por conta do racismo estrutural”, reflete.

O curso de formação em educação antirracista foi viabilizado pelo PAFE

Ampliação do espaço de atendimento

Na virada do ano, a Educar+ realizou o sonho de ampliar o seu espaço de atendimento que já não estava comportando a quantidade de alunos e educadoras. Numa formação em 2024, o sonho da maioria das educadoras era uma outra casa e esse sonho se tornou realidade com a doação de um parceiro. Através dessa doação, conseguiram adquirir um imóvel bem ao lado da sede, que, apesar de ainda carecer de uma boa reforma, já está recebendo algumas atividades. O projeto de reforma foi feito pela mesma arquiteta que reformou o espaço da atual sede e está aguardando a confirmação de dois parceiros que se dispuseram a financiar a reforma. Um dos projetos, segundo Tainá, é fazer uma horta no quintal, onde já existem pés de banana, jaca e amora, e para isso ela conta com o apoio de especialistas da rede.

O espaço físico do novo imóvel da ONG vai ampliar as áreas para as atividades

Com o espaço atual, é possível desenvolver três atividades por dia e com a nova casa elas vão aumentar para cinco atividades diárias. Será criado um espaço para refeitório, sala dos professores, sala de artes, novos banheiros e espaço para brincar e capoeira no quintal. A intenção não é aumentar o número de crianças atendidas, mas dar mais conforto para elas e a equipe da ONG. O valor total para a reforma está estimado em R$ 130.000,00 e está prestes a ser confirmado pelos parceiros. “A obra vai acontecer de qualquer forma, mas estamos aguardando a definição dos parceiros. Mas nos adiantamos e já temos um engenheiro para acompanhar a obra”, afirma Tainá.

“Acreditamos muito no poder da coletividade, de todos estarem vibrando na mesma energia e de estarmos com os mesmos propósitos. As pessoas que trabalham aqui são engajadas com o propósito, ninguém vai ficar rico trabalhando em ONG, trabalhamos por amor. Ninguém vai subir aqui no Complexo do Chapadão, uma das comunidades mais violentas do Rio de Janeiro, se não acreditar nisso.”

Tainá Brito – gestora da ONG Educar+

Compartilhar: