Matéria publicada em 20 de fevereiro de 2025.
O Instituto Ouro Verde volta às aulas com o convite à comunidade escolar para participar das atividades de volta às aulas e do Mutirão para renovação dos espaços que juntam uma grande quantidade de pais, mães, filhos, funcionários e conseguem promover melhorias na escola em apenas um dia. Em 2025, o fomento da Saúva será direcionado para os projetos da Escola Verde, para a comissão de auto-gestão, para o programa de inclusão e o lançamento da moeda social “Ouro Verde”. A equipe se organiza para superar os desafios de participação das famílias nos processos da alimentação integral, no fortalecimento da gestão compartilhada, no lançamento oficial da nova moeda social da escola e no aumento do número de matrículas. Em seus 11 anos de experiência na pedagogia Waldorf, gestão participativa e descentralizada, e inovação nos pilares de Escola Verde (alimentação, agroecologia e gestão de resíduos), a escola se estrutura cada vez mais como uma opção de educação de qualidade para o público de Nova Lima e Belo Horizonte.
O INOV voltou às aulas há três semanas com 242 alunos matriculados e uma ocupação muito interessante nas turmas do Fundamental 1 e 2. Mas está mantido o desafio para o aumento das matrículas na educação infantil, em especial no Maternal, que vai de 1 ano e meio aos quatro anos de idade. Para isso, estão ampliando a campanha de comunicação para instrumentalizar a comunidade escolar para a divulgação desses materiais em suas redes sociais. Segundo Laura Guimarães, mãe de alunos e integrante das comissões de comunicação, autogestão e educação alimentar da escola, existe o desafio de superar alguns mitos. “Temos o desafio de explicar que escola é essa de maneira verdadeira, para que as pessoas possam ter a dimensão e o interesse em fazer parte dela”, explica. O público majoritário da escola está, hoje, em Nova Lima e região centro-sul de Belo Horizonte, onde está concentrada a campanha de divulgação para novas matrículas.

Mesmo com famílias que moram em bairros mais distantes, Laura nos conta que muitos pais percebem que vale a pena se deslocarem um pouco mais para deixar os filhos numa escola que tem um ensino de qualidade e diferenciado. A escola se localiza em um terreno muito arborizado no bairro Ouro Velho, a 15 minutos dos bairros da zona sul de Belo Horizonte e ao lado da Mata do Jambreiro. Apesar desse espaço para novas matrículas, que pode dar mais conforto na administração financeira da escola, Laura se diz atenta e otimista com as matrículas que ainda virão em fevereiro, março e início do 2° semestre, pois existe um fluxo grande e histórico nesses períodos.
Boas-vindas e Mutirão
O evento de boas-vindas, organizado pela Escola de Famílias e realizado sábado passado, dia 15 de fevereiro, convidou todas as famílias para participar e ir à escola enquanto os alunos permaneceram com seus professores em sala de aula. Essa celebração de início de ano visa estreitar os laços tanto das famílias novatas quanto das veteranas, com informações gerais sobre o funcionamento da escola, os seus quatro pilares da pedagogia Waldorf, Escola Verde, auto-gestão e diversidade e inclusão. “Com o pensar, o sentir e o agir, porque se ficamos só na explicação teórica não conseguimos engajar”, diz Laura.


O evento de boas-vindas e o Mutirão são exemplos do “aprender/fazer materializado” que promovem um grande engajamento das famílias, como corresponsáveis pelo espaço e administração da escola e produzem resultados incríveis nas crianças. No próximo sábado, dia 22 de fevereiro de 8h às 12h, as famílias farão atividades de manutenção das áreas sociais; pequenos reparos em brinquedos; pinturas e consertos em locais específicos; jardinagem e manutenção da horta, canteiros e áreas verdes. “É quando vemos a força do coletivo atuando mesmo, uma coisa é o que é feito com uma certa quantidade de pessoas e outra coisa é o que, num dia, conseguimos fazer com uma grande quantidade de pessoas, porque a rapidez é muito maior”, comenta Laura. Para além desse fazer coletivo, Laura explica que essas atividades geram pertencimento e mudam a qualidade das relações familiares. Essa vivência entre pais, mães e filhos dentro do cotidiano da escola gera essa identificação e pertencimento, quando as crianças, por exemplo, se sentem responsáveis pela pintura de uma parede durante um mutirão.

Apoio da Saúva em 2025: Escola Verde, auto-gestão, inclusão socioeconômica e moeda social
O Instituto Ouro Verde é uma das iniciativas que participou do processo de criação e fundação da Saúva, por isso é chamada de iniciativa-mãe. Em 2025, a escola tem algumas novidades como a criação da comissão de educação alimentar, entendendo que esse pilar é muito forte. Para dar conta de todos desafios nesses processos de educação alimentar, foi criado um manual de educação alimentar para ser compartilhado com todos.
“Essa é uma das questões mais desafiadoras nesse processo escola/família porque a educação alimentar não deveria estar só na escola. Para funcionar ela precisa ter essa ponte muito direta entre escola e família. E precisamos ter um olhar especial para a educação alimentar”.
Laura Guimarães – Comissão de comunicação do INOV
Segundo Laura, “é um nadar contra a corrente”, e questiona a qualidade dessa comida e da indústria alimentícia que pregam o contrário do que a escola preza. Mas, ao mesmo tempo, se diz otimista por ver essas questões bem trabalhadas e aterradas no universo escolar e nas crianças.
O processo de criação da nova moeda social do Instituto Ouro Verde passou por várias etapas, começando com um grupo de estudos que se tornou uma comissão e tem se estruturado cada vez mais até ser lançada e incorporada pela comunidade escolar. Seu lançamento prevê uma série de ações como a Feirinha de Trocas, a Rede de Prosperidade (divulgação dos dons, talentos e serviços para a comunidade).
Por hora não está no radar da escola nenhuma aquisição de plataforma para hospedar a moeda e as trocas, isso teria uma implementação mais gradativa. O controle, a princípio, será através de planilha eletrônica. “Entendemos que já estamos operando com uma economia circular, que é o cerne da moeda social. Temos iniciativas como o grupo desapego, a rede fraternidade, as compras coletivas, a feira de trocas. A ideia é lançar, a partir de março, divulgações falando sobre a economia circular, as ações que praticamos e sobre a moeda social”, explica Laura. Segundo Laura, a intenção é que as pessoas entendam o que é uma moeda social, que é algo diferente, para se apropriarem, aprenderem e engajarem no fortalecimento da rede da moeda com o próprio uso.



A caminhada com o consultor em auto-gestão, Rodrigo Bergami, começou há seis anos e tem estruturado esses processos em todas as instâncias, com a participação de famílias, professores e funcionários. Essa prática, presente no estatuto e nas práticas da escola, tem se aprimorado com essa consultoria a partir de um diagnóstico e do trabalho de organização das comissões, os círculos e papéis mais bem definidos, os fluxos de reunião, o entendimento dos contornos e autonomia de cada instância, assim como atividades formativas, encontros e palestras. Atualmente, foi criada uma Comissão de autogestão com o objetivo de ser a guardiã desses princípios e o Rodrigo Bergami tem trabalhado mais com essa comissão e deixado de atuar gradativamente nas outras comissões, para que elas se tornem mais independentes. Ela considera que esse processo é como um “desmame gentil”, e que vai de encontro ao objetivo principal da gestão compartilhada, de gerar autonomia.
Essa comissão tem sido responsável por verificar se as atuações das outras comissões estão respeitando os processos de autogestão em relação ao ritmo, tempo, produtividade e eficiência, e por receber dúvidas sobre os procedimentos. Além disso, Bergami está assessorando a elaboração do planejamento estratégico de 9 anos da escola. “Nós já passamos da fase do pioneirismo e da criação da autogestão na escola, agora precisamos manter e para isso, estruturar. Só conseguiremos que a escola não perca seu DNA com uma gestão tão descentralizada, se conseguirmos estruturar os processos, políticas, papéis e fluxos. Mas não no sentido de enrijecer e burocratizar, mas para torná-la mais transparente, equivalente e eficaz possível”, conclui.
