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Cordão do Boitatá lança Financiamento Coletivo para viabilizar o Cortejo e o Baile Multicultural na Praça XV

Matéria publicada em 8 de fevereiro de 2023.

O Cordão do Boitatá (www.instagram.com/cordaodoboitata), um dos blocos pioneiros na retomada do Carnaval de rua do Rio e Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Estado do Rio de Janeiro, faz o 27º Cortejo no domingo pré-carnaval, dia 12 de fevereiro. Outra tradição do Boitatá, e do carnaval carioca, é o Baile Multicultural da Praça VX, que é realizado há 17 anos. E é para viabilizar a realização destes dois dias de festa, que o Cordão do Boitatá lança esta campanha de financiamento coletivo.

O objetivo é garantir os custos estruturais de realização do Cortejo e do Baile, que está correndo sério risco de não acontecer e, por isso, há urgência em potencializar a Campanha de Financiamento Coletivo. Colocar o Bailão na Praça XV é manter a tradição carnavalesca do Boitatá e entregar, além do Cortejo, um showzão, que chega a durar 7 horas, para foliões, turistas e para a cultura fluminense. A Campanha vai se estender até que a meta estabelecida seja atingida, de R$ 150.000,00, ainda que seja depois do Baile.

O Show do Bailão Multicultural leva dezenas de artistas ao palco

Nos anos anteriores à pandemia, as atividades do Cordão do Boitatá foram realizadas de forma totalmente autônoma. A produção foi sempre arcada pelo grupo, sem nenhum recurso de empresas privadas ou do poder público, contando apenas com sua enorme rede de apoiadores e brincantes. Esta ação, segundo um estudo realizado em 2018 pela FGV, gerou um impacto econômico de 28,61 milhões durante o carnaval daquele ano, criando mais de 700 postos de empregos diretos e indiretos, e 1,16 milhão em tributos federais, estaduais e municipais.

A conta é muito simples, explica Ivam Cruz do Cordão do Boitatá: “se cada pessoa que pula o carnaval do Boitatá, e são milhares de pessoas, contribuir com o equivalente a uma cerveja, ou seja, dez reais, a qualidade do palco e do show estará garantida no carnaval deste ano”. Além da realização do Baile, o dinheiro arrecadado pode impulsionar outras ações sociais, como a formação de jovens músicos nas comunidades da Serrinha (berço do Império Serrano) e do Morro dos Macacos (Unidos de Vila Isabel), e terá prestação pública das contas.

Para quem não conhece, o Baile Multicultural da Praça XV é um epicentro musical do carnaval do centro do Rio com grande qualidade sonora e artística, conta Ivam. São músicos gabaritados que fazem a base estrutural da banda por onde passam vários musicistas, cantores e cantoras incríveis, como Martinho da Vila, Marisa Monte, Teresa Cristina, Mariana Baltar, Marina Íris, João Donato, Yamandu Costa, blocos como Orunmilá e Amigos da Onça, além dos internacionais Nneka e Keziah Jones, por exemplo. Ivam Cruz diz que “inúmeras pessoas vão (ao Baile) porque acreditam nesse carnaval, na importância da ocupação do espaço público, que é uma festa que pode ocupar a cidade com felicidade e compromisso com o público. Há um cuidado e uma energia estabelecida de muita harmonia: não há confusão. Vai gente de todas as idades e lugares da cidade frequentar o Palco”. Por ser no Centro da cidade, ele desloca o público pra essa região, inclusive de cidades próximas como Niterói.

Participe do financiamento

Contribua com a Campanha de Financiamento Coletivo do Baile Multicultural do Cordão do Boitatá 2023! O mecanismo de captação dos recursos está dentro do site www.cordaodoboitata.com.br e tem parceria com a Saúva, Associação de Fomento ao Empreendedor Sócio-cultural Educacional Saúva, que faz a captação e o gerenciamento da verba. Ou deposite diretamente via PIX boitata@gruposauva.com, através do QR Code abaixo para uma conta da Saúva exclusiva de arrecadação para o Boitatá, ou nos cartões e Paypal http://bit.ly/PaypalBoitata2023.

Cortejo 2023

Nesse ano, o Cortejo do Cordão do Boitatá tem novo trajeto: sai da esquina da Rua da Assembleia, vai em direção ao largo da Carioca e faz uma homenagem na Casa do Choro, no Centro. O Cortejo é realizado por uma orquestra de rua com 100 músicos, naipe de sopros, bateria, xequerês, ala de estandartes, baianas, pernas de pau, Mestre-Sala e Porta-Bandeira, movimentando em torno de 30 mil pessoas.

Pixinguinha, um dos patronos do bloco, estará representado por um boneco gigante, assim como outras pessoas importantes para a música e a cultura brasileira, como Elza Soares, Cartola, Martinho da Vila, Tia Maria do Jongo, entre outros, nos estandartes. São vários artistas que representam o que é o Cordão do Boitatá e que trazem um resgate musical e um chamamento para o futuro, unindo sambas, marchinhas, afoxés, músicas eruditas e populares com músicas do Gilberto Gil, Caetano Veloso e Fela Kuti.

Os patronos do bloco representados em bonecos e estandartes
A alegria e o compromisso com a cidade são marcas registradas do bloco
A ala das pernas de pau está garantida no Cortejo mas o Bailão precisa de apoio dos foliões

Importância cultural e econômica do Baile para o Rio

Em 2020, o Cordão do Boitatá, com o apoio da Muda Outras Economias ( a Muda é uma comunidade virtual estruturada como uma rede de fomento, que busca incentivar ações culturais, educativas e socioambientais. A estratégia usada foi a criação de uma moeda social complementar, a MUDA, que permite recuperar a autonomia, evidenciar e circular a abundância existente em nossa comunidade), realizou uma pesquisa inédita em parceria com o Observatório das Metrópoles durante o Baile Multicultural na Praça XV para levantamento de dados. Foram aplicados 1500 questionários entre o público presente e camelôs. As perguntas, de natureza qualitativa e quantitativa, tiveram como objetivo fornecerem dados de ordem econômica, territorial e social do Carnaval de rua do Rio de Janeiro e daquele evento em particular.

Os dados da pesquisa mostram, em primeiro lugar, a importância do Carnaval na vida das pessoas. Perguntadas sobre porque escolheram o bloco, grande parte delas respondeu que foi pela possibilidade de encontrar os amigos; outras estavam ali pela música ou porque, simplesmente, amam o Carnaval. 

Quase 70% dos foliões se hospedam na casa de parentes e amigos, e o restante em Airbnb ou aluguel direto com o proprietário, com custo médio de R$1.156,00 por pessoa pelo período do carnaval. Durante as horas que permanecem no bloco, as pessoas consomem em torno de R$ 65,00 com comida e bebida e um quarto dos foliões gasta mais de R$100,00 com bebidas apenas nesse bloco, sem contar custos com fantasia e transporte.

Utilizando essa média como parâmetro, um bloco com 80 mil pessoas pode movimentar, apenas com o consumo de bebidas e comidas durante a apresentação, cerca de 5,4 milhões de reais. 80% do público respondeu que pretendiam consumir dos camelôs, ou seja, durante o baile do Cordão do Boitatá em 2020, estima-se que 4 milhões de reais de reais são gerados para a cidade. E nada disso é revertido para a produção da festa promovida pelo Cordão do Boitatá. Então essa conta não fecha. Por isso, essa campanha de financiamento coletivo, mais do que uma arrecadação, é um gesto político de denúncia e questionamento. A colaboração coletiva é fundamental para fazer essa roda girar e provocar alguma mudança estrutural necessária na distribuição da economia da festa.

Assista ao vídeo da Campanha de Financiamento Coletivo do Cordão do Boitatá:

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