No dia 13 de setembro, o Teia da Terra realizou seu 4º encontro na sede da Fundação Pró-Universitária do Vale do Jequitinhonha (Funivale), em São Gonçalo do Rio das Pedras, Minas Gerais. Cerca de 60 pessoas participaram da atividade, entre agricultoras e agricultores dos quilombos de Santa Cruz, Baú e Ausente, integrantes da equipe técnica e de articulação do projeto, representantes da Saúva e convidados.
O encontro foi marcado pela integração entre os diferentes participantes que fazem parte da trajetória do Teia da Terra e pela celebração dos resultados alcançados pelo projeto, que articula produção agrícola, segurança alimentar, geração de renda e valorização dos territórios quilombolas.
A programação começou com um café da manhã comunitário, preparado com produtos levados pelos próprios agricultores. Banana e morango orgânicos, bolos, goiabada, rapadura, biscoitos, queijo, café e chá de rosas fizeram parte da mesa, em uma demonstração da diversidade da produção local.
Na abertura, o coordenador do Teia da Terra, Bruno Mallmann, destacou a importância do encontro como espaço de reconhecimento e celebração do trabalho desenvolvido pelos agricultores. Um vídeo com depoimentos de famílias acompanhadas pelo Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) e beneficiadas pelas cestas do projeto também foi apresentado. As mensagens de agradecimento aos agricultores quilombolas emocionaram os participantes.


Representando a Saúva, Samir Caetano Amim falou sobre o trabalho da organização e sobre a presença da rede nos territórios. Também apresentou a Jataí e seu papel, buscando aproximar os participantes do funcionamento das organizações que contribuem para a manutenção e o desenvolvimento do projeto.
Mais de 60 toneladas de alimentos e R$ 346 mil em renda
Durante o encontro, foram apresentados números que ajudam a dimensionar os resultados alcançados pelo Teia da Terra. Desde sua criação, o projeto já viabilizou a entrega de 10 mil Sacolas Verdes, com mais de 60 toneladas de alimentos distribuídas às famílias atendidas.
A comercialização desses produtos também representa uma importante fonte de renda para as comunidades agricultoras. De acordo com os dados apresentados por Bruno Mallmann, o projeto já gerou R$ 346 mil em renda para os agricultores envolvidos.
Mais do que garantir a comercialização da produção, a iniciativa contribui para ampliar a diversidade dos cultivos e criar condições para que os agricultores produzam para além do consumo próprio. A existência de uma demanda regular e de um pagamento garantido fortalece a agricultura familiar e amplia as possibilidades de permanência e desenvolvimento nos territórios.
Cultura e território
A programação também abriu espaço para as manifestações culturais das comunidades. Representantes dos três quilombos foram convidados a apresentar músicas tradicionais quilombolas, em momentos de celebração e compartilhamento das tradições de seus territórios. Alguns grupos também criaram versos próprios relacionados ao encontro e ao Teia da Terra.
Na sequência, o grupo Sapos e Afogados apresentou o espetáculo Frog Sound. A apresentação aproximou teatro e território, utilizando o próprio espaço rural como elemento da cena. A interação dos artistas com as plantas, o ambiente e os elementos encontrados no local permitiu momentos de improvisação.

A programação incluiu ainda uma troca de sementes. Agricultores e participantes levaram sementes de seus quintais, hortas e territórios e as disponibilizaram para os demais. As sementes foram reunidas em uma mesa coletiva, de onde cada participante pôde escolher aquelas que desejava levar para plantar.
Em outro momento, uma dinâmica coletiva utilizou barbantes para formar uma teia entre os participantes. Cada pessoa compartilhou uma palavra relacionada aos sentimentos e valores associados ao projeto e ao encontro. A imagem da teia, construída coletivamente, retomou o próprio sentido do nome Teia da Terra: uma rede de relações formada a partir da produção, da solidariedade, do território e da cooperação.
O encontro foi encerrado com um sabororo almoço coletivo no Bar da Jovelina, em São Gonçalo do Rio das Pedras.
Ao longo do encontro, ficou evidente a dimensão construída pelo Teia da Terra para além da circulação dos alimentos. A iniciativa vem fortalecendo relações de confiança no território, ao mesmo tempo em que amplia as possibilidades de geração de renda e valorização da produção local. A regularidade da comercialização cria condições para que os agricultores ampliem seus cultivos, diversifiquem a produção e atribuam maior valor ao trabalho realizado em seus territórios.

Teia da Terra contribui com o Plante Rio
Como parte da programação, o Teia da Terra também realizou uma doação de produtos para a próxima edição do evento Plante Rio, também parte da rede Saúva Jataí: o evento será realizado no Rio de Janeiro nos dias 18 e 19 de stembro. Foram destinados 5 pacotes de canjiquinha de 1 kg, 3 pacotes de fubá de 2 kg, 3 pacotes de arroz de 2 kg, 2 rapaduras e 4 pacotes de feijão carioca de 1 kg, totalizando 17 itens ou embalagens.
A iniciativa amplia para além dos próprios territórios a circulação dos produtos da agricultura familiar e reforça uma das características centrais do Teia da Terra: estabelecer conexões entre produção, alimentação, renda e solidariedade.